Governo bloqueia sites de apostas ilegais e inicia devolução de valores

© Joédson Alves/Agência Brasil
Operação do Ministério da Fazenda derruba milhares de sites e perfis de apostas irregulares. Saiba como fica o resgate de saldos de 26,5 milhões de brasileiros

O Governo Federal informou nesta terça-feira, 6 de outubro de 2026, que solicitou o bloqueio de 13.241 sites ilegais de apostas desde a entrada em vigor da proibição total das bets no país, em 25 de setembro. A ofensiva da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda resultou também no pedido de remoção de milhares de perfis e grupos em redes sociais. No primeiro dia após a desativação oficial das plataformas autorizadas, cerca de R$ 1,325 bilhão ainda aguardam devolução para aproximadamente 26,5 milhões de apostadores brasileiros.

Ofensiva contra apostas ilegais retém recursos na poupança das famílias

A ampla operação de combate às plataformas de apostas não autorizadas representa um marco na reorganização do orçamento familiar no Brasil. De acordo com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, a interrupção das atividades das bets estancou uma sangria diária expressiva de recursos do mercado consumidor doméstico.

A avaliação do Ministério da Fazenda aponta que entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões deixavam diariamente a poupança popular em direção às plataformas de jogos online. Com a proibição em vigor e o desligamento em massa das páginas, esse montante passa a permanecer diretamente no orçamento das famílias brasileiras, fortalecendo a economia real e a segurança financeira dos consumidores.

Bloqueio em massa atinge sites de apostas e redes sociais

Das 188 plataformas de apostas que mantinham autorização temporária para operar no território nacional até a última segunda-feira (5), apenas uma continuava no ar nesta terça-feira. A pasta da Fazenda confirmou que a notificação para a derrubada desse último endereço já foi formalizada junto às prestadoras de serviços de internet.

O ritmo do cerco regulatório impressiona: a média diária de pedidos de indisponibilização de páginas ilegais ultrapassa 1,1 mil solicitações. Além do bloqueio dos domínios web, as autoridades focaram na eliminação de canais de divulgação e captação de clientes em diversas redes sociais e aplicativos de mensagens:

  • Facebook: 1.974 páginas removidas;

  • Telegram: 900 canais e grupos banidos;

  • Instagram: 560 perfis derrubados;

  • TikTok: 103 contas suspensas;

  • WhatsApp: 14 grupos desativados;

  • Discord: 1 servidor encerrado.

Somadas, as redes e comunidades atingidas pelas ordens de remoção concentravam um alcance estimado em mais de 17 milhões de usuários.

Cronograma de devolução de saldos bancários aos apostadores

O encerramento oficial das operações no país deu início à fase mais crítica do processo de descontinuidade: a restituição dos recursos mantidos em custódia. O prazo para a realização do saque voluntário via aplicativo expirou pontualmente às 23h59 de segunda-feira (5).

As empresas operadoras têm até esta quarta-feira (7) para repassar ao sistema bancário as planilhas consolidadas contendo o saldo remanescente de cada cliente, devidamente atrelado ao número do CPF e à conta de origem dos depósitos.

O balanço do Ministério da Fazenda detalha o panorama dos valores pendentes:

  • Volume total pendente: R$ 1,325 bilhão em saldos a serem restituídos;

  • Apostadores impactados: 26,5 milhões de cidadãos com algum saldo disponível;

  • Contas com valores irrisórios: 86,2 milhões de cadastros com saldos entre R$ 0,01 e R$ 0,99;

  • Soma das pequenas contas: R$ 15,5 milhões acumulados em saldos inferiores a R$ 1,00.

O volume de contas ativas supera o número de indivíduos porque a maioria dos clientes mantinha cadastros em múltiplas plataformas simultaneamente.

Concentração de recursos e investigação de contas suspeitas

Embora a maioria absoluta dos cadastrados possua valores centavos nas plataformas, a quase totalidade do montante bilionário retido pertence a um grupo seleto de usuários. Dados da Fazenda revelam que 1% dos apostadores — cerca de 200 mil pessoas — concentra 80% de todo o dinheiro pendente de devolução. Quando a fatia é ampliada para 3,4% dos usuários, o índice salta para 90% dos recursos retidos.

Diante dessa assimetria, o governo federal instaurou procedimentos de checagem sobre contas que apresentam volumes atípicos. Cerca de 40 cadastros registraram saldos individuais superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão. As autoridades financeiras e policiais vão apurar a origem desses fundos para identificar possíveis esquemas de lavagem de dinheiro ou vínculos com organizações criminosas, em investigações paralelas ao processo rotineiro de devolução bancária.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

Tags

publicidade

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

publicidade
publicidade

Opinião

plugins premium WordPress