As casas de café ganham espaço nas praças da região central, impulsionadas por um mercado que cresce entre 15% e 20% ao ano. Os locais oferecem grãos especiais, torrefação própria e temáticas asiáticas ou de teledramaturgia. A área concentra 1.003 espaços dedicados a este segmento, incluindo estabelecimentos especializados em chás e sucos, segundo a Secretaria de Planejamento, Finanças e Orçamento de Curitiba.
Os registros apontam que empreendedores abriram 662 espaços inéditos de janeiro a agosto. O número representa 127 comércios a mais em comparação ao mesmo período do ano passado, equivalente a uma alta de 23,5%. As propostas variam desde formatos rápidos do tipo pague e leve até ambientes pensados para clientes que trabalham em notebooks ou encontram amigos.
AVANÇO PÓS PANDEMIA
O salto no surgimento de cafeterias começou após a pandemia e ganhou fôlego no último ano. A expansão reflete os resultados da revitalização viária promovida pelo programa municipal Curitiba De Volta ao Centro, que trouxe investimentos e reduziu a burocracia para abertura de empresas na região.
A Royalty Café nasceu a partir da torrefação de lotes selecionados na Rua São Francisco. Os sócios Zeca Dominico e Daniel Munari inauguraram a empresa em janeiro de 2020. Ambos acumulam larga experiência no ramo de alimentos e bebidas.
“Foi meio assustador, mas conseguimos vender online para o consumidor final, já que as cafeterias estavam fechadas”, diz Munari. O projeto evoluiu com a abertura do salão principal, que oferece pratos rápidos e acaba de dobrar o espaço físico após incorporar uma área vizinha.
EXPERIÊNCIA DO CLIENTE
“Durante a semana, o público é mais de quem trabalha ou mora por aqui. Mas, no fim de semana, vem gente de todas as partes da cidade. São pessoas que vêm para conferir o nosso café e o nosso ambiente”, destaca Zeca Dominico.
Para Munari, a renovação integra a essência da marca. “A nossa aposta é na permanente inovação. Não dá para se acomodar. Por isso, temos o que chamo de ‘cozinha inquieta’, sempre em busca de novidades”, afirma.
A equipe promove um evento de portas abertas uma vez por mês, com degustação gratuita. A iniciativa aproxima o consumidor das etapas de preparo e ajuda a fidelizar apreciadores.
INSPIRAÇÃO EM NOVELAS
A televisão serviu como ponto de partida para o Cafézinho, Dona Helena?, inaugurado na Rua Saldanha Marinho. O local exibe capas de discos e possui nome inspirado nas personagens do escritor Manoel Carlos. Nove das 17 novelas produzidas pelo autor traziam uma protagonista batizada como Helena.
“As Helenas das novelas sempre tinham o horário do cafezinho. Esse costume até virou meme, quando a personagem cancelava a agenda e ia tomar um café”, comenta Renata Gamboa Almeida, proprietária do estabelecimento. A empresa organiza um menu sazonal para homenagear tramas diferentes.
“Todo mundo na família adora novela. Meu avô, de São Paulo, só marcava compromisso depois do horário da novela e depois passou a carregar uma televisão portátil para não perder nenhum capítulo quando se deslocava para algum lugar, já que o trânsito da capital paulista é complicado”, explica Renata.
TORREFAÇÃO E EXPANSÃO
A ideia inicial mirou um imóvel central, beneficiando-se da zona histórica. “Sempre quisemos um endereço no Centro e tem dado muito certo. Nós produzimos doces e salgados aqui mesmo no café, o que faz muita diferença. Tem muita gente que está passando na rua e não resiste ao cheiro do bolo assado na hora, do açúcar transformado em caramelo”, comenta a dona.
Fundado em 2021, o Manana constitui um reduto na Rua Desembargador Ermelino de Leão. A designer Dora Suh e o barista Vitor Coelho estruturaram a sociedade. A nomenclatura remete às galactomananas, compostos presentes na semente do café. O insumo preparado internamente abastece outras redes, motivando a abertura de uma segunda unidade no bairro Bigorrilho focada em pratos veganos.
PÚBLICO E REVITALIZAÇÃO
Os clientes englobam moradores e trabalhadores do entorno. “Temos um público fiel, que eu chamo carinhosamente de nosso elenco fixo, mas sempre tem cliente novo chegando. O Centro tem essa característica, porque sempre tem alguém que precisa vir para a região. E esse fluxo de pessoas no Centro vem aumentando”, garante Dora.
A requalificação da calçada e a abertura do Cine Lido mudaram a dinâmica local. “Nos dias de show, estendemos nosso horário de fechamento de 18h para 20h para atender o público antes dos espetáculos”, complementa Dora.
INFLUÊNCIA ASIÁTICA
Apoiado no sucesso da cultura sul coreana, o Hozak abriu as portas na Praça Osório focado em tradições asiáticas. “Hozak é uma pintura tradicional coreana que representa um tigre, símbolo de coragem, e um pássaro, que traz boas notícias”, explica a proprietária Yoon Su Ki.
“No símbolo do café coloquei uma araucária para representar Curitiba e a união das duas culturas”, conta. Ela reside no Paraná há 15 anos. A decoração apresenta biombos clássicos e o cardápio serve o yagwa, doce histórico formulado com arroz, canela e gengibre.











