Moro admite que recebeu salário disfarçado de auxílio-moradia

Candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro admitiu em sabatina da RPC que recebeu auxílio-moradia mesmo tendo imóvel próprio em Curitiba

Durante sabatina promovida pela RPC nesta segunda-feira (14), o candidato ao governo do Paraná Sergio Moro (PL) admitiu ter recebido o auxílio-moradia por quatro anos, mesmo possuindo imóvel próprio em Curitiba, classificando a verba como um complemento salarial e um “estratagema reprovável”.

Sabatina da RPC e a admissão do benefício

O cenário político estadual ganhou novos contornos após sabatina realizada pela RPC nesta segunda-feira (14 de setembro). Durante a entrevista, o candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL), confirmou publicamente que fez uso do auxílio-moradia durante o período em que atuava como magistrado federal na capital paranaense. A declaração recolocou em pauta o debate sobre as gratificações e os chamados penduricalhos no âmbito do Poder Judiciário brasileiro.

Questionado diretamente pelos jornalistas sobre os repasses recebidos enquanto magistrado, o candidato reconheceu que a verba funcionava, na prática, como uma forma de elevar a remuneração mensal. Embora os pagamentos estivessem amparados por regulamentações vigentes da época, o recebimento dependia de uma solicitação pessoal, detalhe que tornou o episódio alvo de críticas de opositores políticos e analistas de transparência pública.

Valores recebidos e o contexto de 2018

Os registros indicam que os repasses mensais no valor de R$ 4.378,00 foram depositados ao longo de 50 meses, compreendendo o intervalo entre outubro de 2014 e novembro de 2018. Somada, a quantia ultrapassou duzentos mil reais pagos a título de moradia, mesmo diante do fato de que o então juiz da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba já era proprietário de um imóvel residencial na mesma localidade.

O caso veio à tona originalmente em 2018 e gerou ampla repercussão na imprensa nacional, tornando-se um dos exemplos mais emblemáticos do uso de benefícios extras por membros da magistratura. Naquela época, a discussão girava em torno da moralidade de acumular vencimentos elevados — que já se aproximavam de R$ 30 mil — com o acréscimo de verbas destinadas a despesas com habitação, cenário que dispensava o gasto real por parte do beneficiário.

Tentativa de justificativa e o discurso atual

Ao ser confrontado sobre a contradição entre as antigas práticas e o atual discurso político focado no combate a privilégios, Moro argumentou inicialmente que o benefício era generalizado entre os magistrados federais da época. Contudo, acabou ponderando que o mecanismo representava um “estratagema questionável” e um verdadeiro “salário disfarçado”, apesar de ter usufruído do recurso até o encerramento de sua carreira na Justiça Federal.

Novamente ao ser questionado pelos entrevistadores da RPC, ele afirmou que “no fundo, era um complemento salarial”, classificando o pagamento como um salário disfarçado e um “estratagema questionável”. A verba em questão só deixou de existir de maneira definitiva após determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu o pagamento generalizado desse tipo de auxílio em âmbito nacional. O episódio na sabatina evidencia o esforço da campanha em esclarecer pontos sensíveis do passado de Moro perante o eleitorado paranaense, em meio à disputa acirrada pelo Palácio Iguaçu nas eleições de 2026.

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