No mesmo dia do início do julgamento de Bolsonaro pelo Supremo Tribunal Federal – STF, na terça-feira (02/09), a cúpula da Federação União Progressista, que une as siglas União Brasil e PP, anunciou o desembarque do governo Lula. Em coletiva à imprensa, os dois partidos, que passaram a fazer parte de uma Federação, anunciaram que dois ministros filiados deverão deixar os respectivos cargos, sob pena de sofrerem sanções partidárias caso não entreguem o comando dos ministérios.
Trata-se dos ministros do Turismo, Celso Sabino (União), e do Esporte, André Fufuca. Ambos devem deixar os respectivos cargos até o final deste mês. Apesar da resistência de ambos os ministros, que vinham defendendo permanecer por mais tempo nos cargos, a situação tornou-se insustentável, havendo ameaça de expulsão das referidas siglas caso permanecessem.
A crise com o governo Lula também contribuiu. O presidente da República havia reclamado em reunião ministerial, na semana anterior, que nunca era defendido pelos dois ministros em eventos partidários. O petista chegou a sugerir a ambos que poderiam deixar o governo, caso desejassem.
Apoio à anistia
Apesar da Federação não ter confirmado a associação do desembarque do governo ao apoio a anistia dos condenados do 8 de janeiro, o que houve foi um acordo com o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, para que ambos os partidos declarem defesa pública a esta causa. O presidente do PP, Ciro Nogueira, disse que deverá apoiar a anistia somente se houver entendimento com o STF. O presidente do União Brasil, Antônio Rueda, disse que não quis misturar os temas durante a coletiva de imprensa que anunciou a debandada, preferindo deixar para tocar no assunto somente após o julgamento no STF.
Comunicado do governo Trump a bancos
Entretanto, não deve ser coincidência um outro fato marcante ocorrido já na segunda -feira (01/09). Os principais bancos brasileiros com presença internacional receberam um comunicado formal do Escritório de Controle de Ativos Financeiros (Ofac), órgão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, para prestar esclarecimentos sobre como estão cumprindo as restrições impostas pela Lei Magnitsky a Alexandre de Moraes. Entre estes bancos com presença internacional, estão o Bradesco, o Itaú Unibanco, o Santander, o BTG Pactual e o Banco do Brasil. A legislação americana proíbe transações financeiras com empresas dos EUA e pode impactar instituições estrangeiras que mantenham operações naquele país. Por isso, bancos brasileiros com presença nos Estados Unidos avaliam riscos de sanções secundárias caso deixem de cumprir as restrições do Tesouro americano.
Bloqueio de cartões de crédito
O comunicado do governo norte-americano tem sido tratado com reservas pelos bancos, sem declarações à imprensa. Até o momento, o que se sabe é que o Banco do Brasil bloqueou dois cartões de crédito de Alexandre de Moraes, das bandeiras Visa e Mastercard, oferecendo a ele um de bandeira nacional, a Elo. Empresas de tecnologia como, Google, Meta, Amazon e Apple, que têm sede nos Estados Unidos, também, são legalmente obrigadas a monitorar e relatar quaisquer movimentações financeiras, digitais ou contratuais que envolvam indivíduos atingidos pelas restrições previstas na Lei Magnitsky, sob pena de sofrerem sanções próprias.
Trump e as eleições de 2026
Talvez, não seja coincidência a debandada dos dois partidos, uma vez que o governo Trump tem demonstrado que não está para brincadeiras em relação a pressão que faz ao Brasil… Se Trump continuar a insistir com pesadas tarifas, a economia brasileira pode patinar até encontrar novos fornecedores. Além disso, Donald Trump, ao que tudo indica, quer emplacar um governo de direita no Brasil, em 2026. E fará de tudo para o enfraquecimento da esquerda na América Latina. Na Venezuela, a situação já está tensa com os Estados Unidos…
Assim como o presidente Javier Milei, na Argentina, Trump certamente quer mais um aliado de peso, o Brasil. Nosso país, vale ressaltar, é a grande potência da América Latina, celeiro mundial na produção de alimentos e exportação de commodities. Naturalmente, é de grande interesse para os EUA contar com uma aliança forte com o Brasil, começando pelo alinhamento político-ideológico.







