Polícia Civil do Paraná é destaque nacional na apuração de homicídios

Polícia Civil do Estado do Paraná adota inteligência e cruzamento de dados para aumentar o índice de esclarecimento de crimes contra a vida
Polícia Civil do Estado do Paraná adota inteligência e cruzamento de dados para aumentar o índice de esclarecimento de crimes contra a vida - Gabriela Twardowski/PCPR
Estudo do Instituto Sou da Paz aponta o Estado como referência na adoção de boas práticas e cita taxa de esclarecimento de 72% no período

O Estado do Paraná foi destaque entre as unidades da Região Sul no Diagnóstico sobre a Investigação de Homicídios no Brasil, publicado pelo Instituto Sou da Paz, como exemplo de fortalecimento na apuração de crimes contra a vida. Fatores apontados pelo levantamento como relevantes para o bom desempenho nas investigações estão presentes nas rotinas implantadas pela Polícia Civil do Estado do Paraná nos últimos anos.

No estudo, o território paranaense aparece ao lado de Rondônia, Paraíba, Mato Grosso e Minas Gerais como modelo na adoção de boas práticas e de iniciativas concretas que apresentam potencial para contribuir com o aprimoramento das investigações. Entre as ações destacadas estão a gestão intensiva por metas, a especialização territorial, a priorização institucional e a integração qualificada entre os setores de investigação e perícia.

A publicação analisou os dados de esclarecimento de mortes violentas intencionais entre os anos de 2020 e 2023 em diversos estados. De acordo com os critérios adotados pela pesquisa, o Paraná apresentou desempenho médio de 72% no período, índice classificado como alto e alcançado também apenas pelo Distrito Federal e por Rondônia. A média nacional ficou em 40%, considerada intermediária, o que representa uma diferença de 32 pontos percentuais em relação ao indicador paranaense.

AÇÕES TÁTICAS

Esse cenário é acompanhado pelo fortalecimento das operações de repressão qualificada. Entre os anos de 2019 e 2026, o número de ações dessa natureza cresceu mais de 300%, demonstrando uma mudança de escala na atuação da corporação, com maior capacidade de planejamento, integração de informações e enfrentamento especializado de estruturas criminosas. Somente este ano, até o fechamento do mês de setembro, a instituição deflagrou 975 operações de repressão qualificada em todo o território paranaense.

“Nossas equipes estão nas ruas diariamente para executar um trabalho que tem como pilar a inteligência policial”, explica o delegado-geral da PCPR, Silvio Jacob Rockembach. “Entendemos que o fortalecimento da atividade de inteligência é fundamental para o levantamento de informações, a coordenação estratégica de ações e a tomada de decisões concretas no combate ao crime organizado”.

USO DA INTELIGÊNCIA

A atividade de inteligência funciona como ferramenta para a compreensão das disputas territoriais provocadas pelo tráfico de drogas e para a identificação de vínculos entre mortes aparentemente isoladas. O cruzamento de dados e o compartilhamento de informações entre as unidades policiais permitem mapear lideranças criminosas, entender as motivações dos crimes e direcionar os inquéritos com maior precisão.

Essas metodologias vêm sendo incorporadas e aprimoradas pela Polícia Civil nos últimos anos e ganharam reforço com a nova Lei Orgânica da Polícia Civil do Estado do Paraná, sancionada em maio deste ano. A legislação consolidou, na estrutura permanente da instituição, uma lógica baseada em especialização, inteligência e repressão qualificada. Entre outras inovações, foram criados o Departamento Estadual de Repressão ao Crime Organizado, o Departamento de Operações Especiais e o Departamento de Inteligência Policial, projetados para atender aos desafios atuais da segurança pública.

ASFIXIA FINANCEIRA

A especialização amplia a capacidade da corporação de identificar não apenas os autores imediatos de um homicídio, mas também as organizações, lideranças, redes e estruturas criminosas eventualmente relacionadas à prática dos crimes contra a vida.

Um dos exemplos dessa estratégia é a investigação financeira, que passou a contar com cinco Laboratórios de Tecnologia Contra Lavagem de Dinheiro, vinculados diretamente ao Departamento de Inteligência Policial. Essas unidades atuam com base na premissa da descapitalização das organizações criminosas como forma de cortar os recursos econômicos que sustentam a atuação e a expansão dos grupos ilegais.

A experiência paranaense dialoga com as conclusões do diagnóstico do Instituto Sou da Paz, que aponta a importância de fatores institucionais e operacionais para o bom desempenho investigativo mesmo em contextos complexos. Na Polícia Civil do Estado do Paraná, a combinação entre gestão por resultados, repressão qualificada, inteligência e especialização institucional fortalece a capacidade de investigar os crimes contra a vida, responsabilizar autores e enfrentar organizações criminosas diretamente relacionadas à violência letal.

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