As dietas restritivas populares, como jejum intermitente e planos detox, prometem resultados rápidos, mas trazem sérios riscos à saúde mental e física quando seguidas sem orientação profissional, segundo a nutricionista e pesquisadora Sophie Deram. A especialista, que atua no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que a busca por modismos alimentares está associada ao aumento de casos de ansiedade, depressão e transtornos alimentares no Brasil, alertando para a necessidade de um olhar mais consciente e individualizado sobre a alimentação.
Por Que as Dietas da Moda Afetam a Mente?
O problema das dietas da moda não está apenas na restrição calórica, mas na forma como elas são aplicadas. Sophie Deram aponta que a falta de acompanhamento médico ou nutricional em planos extremos, como o jejum intermitente prolongado ou a exclusão total de carboidratos (low carb), gera um ciclo vicioso de compulsão e frustração.
“Modismos sem acompanhamento podem gerar compulsões, frustrações e impactos negativos na relação da pessoa com a comida. Isso afeta diretamente a saúde mental”, explica a pesquisadora, ressaltando que a questão vai muito além da estética ou da balança. O Ministério da Saúde indica que cerca de metade dos brasileiros já tentou algum tipo de restrição alimentar nos últimos dois anos, e a correlação com problemas emocionais é crescente.
O Impacto Físico e Comportamental das Restrições Extremas
Além do sofrimento emocional, a nutricionista alerta que as restrições severas comprometem funções vitais do organismo. Pesquisas demonstram que jejuns ou exclusões nutricionais drásticas (como de carboidratos e proteínas) prejudicam o metabolismo, a qualidade do sono, e afetam a concentração e a memória.
Quando a alimentação é baseada em restrições, o cérebro sofre. “Isso modifica o comportamento alimentar, e a mudança reverbera no humor, na energia e no bem-estar geral”, afirma Deram.
O Caminho para uma Alimentação Sustentável
Para a especialista, a solução é abandonar a busca por resultados imediatos e investir em hábitos duradouros. A ciência da nutrição mostra que mudanças graduais, conscientes e personalizadas são as únicas capazes de promover um estado de saúde sustentável, que respeita o corpo e a mente.
“O melhor é investir em hábitos consistentes e individualizados, baseados em ciência e na escuta do corpo. Comer de forma prazerosa, respeitar sinais de fome e saciedade, e manter regularidade de nutrientes faz muito mais pela saúde do que qualquer plano radical temporário”, conclui a Dra. Sophie Deram.







