Homens descobrem câncer de mama em estágio mais avançado

© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
Levantamento da Sociedade Brasileira de Radioterapia alerta que homens chegam ao diagnóstico de câncer de mama em estágios mais avançados por falta de informação

Apesar de ser associado comumente ao público feminino, o câncer de mama também afeta a população masculina e costuma ser identificado em fases avançadas no Brasil. Um estudo da Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), baseado em dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), revela que quase 30% dos diagnósticos masculinos ocorrem no estágio IV, quando a doença já apresentou metástase. O desconhecimento sobre os sintomas e a demora na busca por auxílio médico explicam a gravidade dos quadros diagnosticados entre os homens durante a campanha do Outubro Rosa.

Câncer de mama em homens registra diagnósticos tardios

O câncer de mama masculino representa cerca de 1% de todos os casos identificados da doença. Entre os anos de 2020 e 2023, o banco de dados dos Registros Hospitalares de Câncer (RHC) contabilizou mais de 163 mil ocorrências da neoplasia no Brasil, das quais 2.126 atingiram pacientes do sexo masculino. A estimativa do Inca aponta para mais de 78 mil novos casos anuais da doença na população geral até 2028.

A grande preocupação dos especialistas reside na evolução silenciosa da enfermidade nos homens. A pesquisa da SBRT aponta que os estágios III e IV — caracterizados por fases avançadas do tumor — concentram 62,29% das notificações masculinas. No estágio IV, quando o tumor atinge outros órgãos em processo metastático, a taxa entre homens chega a 29,95%, superando os 26,42% observados entre as mulheres.

Sintomas visíveis e fatores de risco no público masculino

A anatomia masculina favorece o avanço rápido do tumor para tecidos vizinhos. Como o homem possui menor quantidade de tecido mamário, a lesão cancerígena consegue atingir estruturas adjacentes, como a pele e os músculos peitorais, de forma acelerada. O atraso na procura por consultas médicas agrava esse cenário de estadiamento.

Os principais sinais de alerta que exigem avaliação médica imediata incluem:

  • Surgimento de caroço ou nódulo palpável na região peitoral;

  • Alterações no formato ou retração do mamilo;

  • Presença de secreção mamilada, especialmente com vestígios de sangue;

  • Alterações na textura da pele ou dores persistentes no peito.

Entre os fatores de risco mapeados pelos oncologistas estão mutações genéticas hereditárias, histórico familiar da doença, obesidade e alterações nos níveis hormonais.

Tratamentos disponíveis e taxas de sobrevida

O tratamento do câncer de mama em homens segue protocolos semelhantes aos aplicados nas mulheres. Quando a doença é identificada em fase localizada, a intervenção cirúrgica atua como a principal conduta terapêutica. A depender da biologia do tumor, o procedimento é combinado com quimioterapia, hormonioterapia e radioterapia avançada para eliminar células remanescentes e proteger os tecidos saudáveis.

De acordo com especialistas da SBRT, a taxa de sobrevida relativa em cinco anos para homens supera 80% ao somar todos os estágios. Caso o diagnóstico ocorra precocemente com a doença restrita à mama, as chances de cura e sucesso terapêutico ultrapassam 95%. O diagnóstico célere permanece sendo o grande divisor de águas nos resultados.

Diagnóstico precoce entre mulheres jovens

O panorama entre o público feminino também demanda atenção preventiva constante. Um levantamento paralelo da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) analisou cerca de 118 mil atendimentos femininos e constatou que 85,6% das mulheres de até 39 anos receberam o diagnóstico já nos estágios II, III ou IV.

Para a população feminina de risco habitual, a indicação médica nacional recomenda a realização anual da mamografia a partir dos 40 anos. Mulheres que possuem histórico familiar direto ou mutações genéticas devem iniciar o acompanhamento individualizado em idades mais jovens, garantindo o rastreamento adequado e reduzindo os riscos de complicações severas.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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