Na terça-feira, 17 de junho, um marco inédito para o agronegócio paranaense e brasileiro foi concretizado: o Fundo de Investimento Agrícola do Paraná (FIDC Agro Paraná), o primeiro instrumento de crédito rural criado por um governo estadual no Brasil, recebeu seu aporte inicial de R$ 261 milhões. A operação foi formalizada pela Fomento Paraná, instituição estadual responsável pela estruturação do fundo, em parceria com a cooperativa C.Vale e o Sicredi.
Lançado em abril na B3, em São Paulo, o FIDC Agro Paraná tem como objetivo alavancar até R$ 2 bilhões para o financiamento de projetos estruturantes no campo. A iniciativa visa impulsionar o agronegócio paranaense com apoio direto ao cooperativismo, à modernização tecnológica e ao fortalecimento da renda em regiões produtoras.
Um Marco Inédito para a Agricultura Paranaense
O governador Carlos Massa Ratinho Junior ressaltou que o aporte inicial é um marco sem precedentes. “Pela primeira vez, um governo estadual lidera a criação de um fundo estruturado de crédito rural com gestão profissional e foco direto nos produtores”, afirmou. Ele destacou que o FIDC Agro Paraná nasce para “garantir financiamento acessível, com juros mais baixos que o Plano Safra e prazos de até dez anos para pagamento, permitindo que pequenos e médios produtores invistam em infraestrutura, tecnologia e geração de renda com previsibilidade e segurança”.
Este primeiro aporte com a C.Vale integra uma rede maior de investimentos em negociação com outras cooperativas. “O Paraná sai na frente com um modelo inovador que conecta o mercado de capitais ao campo, fortalecendo cooperativas, ampliando a produção de matéria-prima e destravando o crescimento agroindustrial. Estamos abrindo uma nova porta de crédito para milhares de agricultores, com impacto direto na geração de emprego, no aumento da competitividade e no desenvolvimento regional”, acrescentou o governador.
Os recursos desta primeira operação serão destinados à construção de 96 aviários, tanques de piscicultura mais eficientes e sustentáveis, além de matrizeiros – espaços para criação de aves reprodutoras que abastecem incubatórios com pintinhos para a produção de frango de corte.
A Fomento Paraná atua como cotista sênior, oferecendo estabilidade à operação, enquanto a gestão dos recursos é feita pela Suno Asset. Do total investido nesta etapa, R$ 52 milhões são da Fomento Paraná, R$ 112,8 milhões da C.Vale e R$ 96,2 milhões do Sicredi.
Para Alfredo Lang, presidente do Conselho de Administração da C.Vale, o FIDC representa um marco na relação entre o mercado de capitais e o setor produtivo. “Esta primeira emissão em parceria com o Governo do Estado representa não apenas uma inovação financeira, mas uma nova fonte de financiamento para os produtores integrados da C.Vale”, afirmou. Lang destacou que o foco será o fomento das cadeias de frango, suínos e peixes, com crédito mais previsível, competitivo e menos sujeito às oscilações de mercado, reforçando a sustentabilidade financeira do produtor e reduzindo riscos sistêmicos.
Características e Perspectivas Futuras
Com taxas de juros equivalentes às do Plano Safra, o FIDC se apresenta como uma alternativa complementar ao crédito rural federal, cuja demanda tem superado a oferta. O fundo foca em investimentos de capital, não cobrindo custeio de safras nem compra de terras. Os recursos podem ser usados para modernização da cadeia produtiva, desde estruturas físicas até equipamentos agrícolas e industriais.
A Fomento Paraná já está estruturando novos fundos com outras cooperativas e agroindústrias, com projetos em análise que somam mais de R$ 1 bilhão em investimentos para os próximos meses. Somente a C.Vale prevê aplicar R$ 375 milhões em projetos de seus cooperados até o fim de 2025, por meio do FIDC.
“O Paraná sai na frente mais uma vez ao estruturar o primeiro FIDC Agro estadual do Brasil, conectando governo, cooperativas e mercado financeiro em um modelo inovador de crédito”, avaliou o presidente da Fomento Paraná, Claudio Stabile. “É uma solução que nasce da confiança entre os atores envolvidos e que vem para suprir lacunas do sistema tradicional, com agilidade, previsibilidade e foco no desenvolvimento do agro”.
Inicialmente, o foco são as cooperativas com estrutura financeira robusta, como a C.Vale, mas a ideia é pulverizar o acesso ao crédito de investimento no campo, alcançando outras cooperativas, agroindústrias e agentes da cadeia produtiva à medida que o Fundo se consolida. “O Estado tem recursos e disposição para ampliar sua participação, desde que novas propostas sigam critérios técnicos e de governança”, complementou Stabile.
Contas Públicas em Dia Viabilizam o Fundo
De acordo com o secretário estadual da Fazenda, Norberto Ortigara, que participou da elaboração do modelo do Fundo, a oferta de crédito para o agronegócio é fruto das sólidas condições das contas públicas do Paraná. “O Paraná só consegue estruturar um fundo desse porte porque mantém as contas em dia, com equilíbrio fiscal e capacidade de investimento”, disse.
“Enquanto o governo federal enfrenta dificuldades para financiar o agro, aqui conseguimos unir recursos públicos, mercado financeiro e cooperativas em um modelo eficiente de crédito. Este é apenas o primeiro de muitos fundos que vamos colocar de pé para fomentar a produção e a agregação de valor no campo”, garantiu Ortigara.







