Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Crime organizado deve ser enfrentado com mais união e organização entre as esferas de poder

O Brasil enfrenta 88 facções criminosas e o avanço da criminalidade organizada

Se nenhum plano de segurança pública contundente e permanente, como política de Estado, for implementado no país, muito em breve, o Brasil deverá se tornar um Narco-Estado terrorista. Igual ao México, onde o narcoterrorismo já é o maior empregador daquele país. No Brasil, já são 88 facções criminosas atuando em todo o território nacional, de acordo com dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Várias delas com atuação transnacional, inclusive.

 

Desafios imensos

De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, são 23,5 milhões de pessoas vivendo em áreas com a presença de facções e milícias no Brasil. O cenário é assustador e bastante grave. A operação Contenção, das polícias civil e militar, nas comunidades do Complexo do Alemão e da Penha, que deixou um rastro de cerca de 130 mortos, sendo quatro policiais, escancarou o imenso desafio que é o combate ao crime organizado. Policiais foram recebidos pelos integrantes do Comando Vermelho com barricadas e drones carregados de explosivos.

 

Criminosos de alta periculosidade

Qualquer pessoa honesta intelectualmente sabe que o combate a criminosos de alta periculosidade, armados de fuzis, inclusive, não se faz sem emprego de armamentos e respostas em igual medida. Logo, as críticas dos defensores dos Direitos Humanos de criminosos costumam ser desonestas devido a uma parcialidade desmedida em defesa das “pobres vítimas da sociedade”. Mas parece mais fácil criticar as forças policiais quando se está sentado em uma confortável sala com ar condicionado e não se faz ideia do que é estar na linha de frente de combate contra criminosos de alta periculosidade.

 

“Papelão“ da imprensa

Parte da grande imprensa, também, tem feito um verdadeiro “papelão” ao estampar nas manchetes fotografias “comoventes” das vítimas mortas e enfileiradas, induzindo ao público a formar uma opinião desfavorável a atuação das polícias. Poderíamos considerar imparcialidade se houvesse o mesmo empenho ao registrar e publicar igualmente imagens e relatos “comoventes” das vítimas do tráfico de drogas e do crime organizado, em geral. Usuários mortos por dívidas a traficantes, execuções sumárias de qualquer cidadão que represente uma ameaça ao bom andamento dos negócios muito bem organizados e hierarquizados de facções como, o Comando Vermelho, alvo desta operação, por exemplo… Ou do PCC, ou outros. As vítimas de assaltos e latrocínios, de furtos de celulares e de correntinhas, enfim, as grandes vítimas têm sido os cidadãos honestos, pagadores de impostos e que trabalham na legalidade. E que terminam por serem “esquecidos“ pela imprensa, em geral. A manipulação da opinião pública por parte da imprensa e da esquerda costuma fazer vista grossa à violência sofrida por tais brasileiros que sobrevivem a mercê de bandidos e facções, de um lado, e de políticos omissos ou coniventes com a criminalidade, de outro.

 

Apoio da população

Não tenho dúvidas de que pesquisas de opinião pública, se realizadas com amostras estatísticas honestas, deverão apontar total apoio da população brasileira, em geral, à referida megaoperação no Rio ou a quaisquer outras semelhantes. As redes sociais são o melhor termômetro deste apoio, a partir de centenas, milhares, de curtidas a comentários em apoio à operação policial e ao trabalho das polícias no enfrentamento a criminalidade, ao crime organizado, em especial. Não se trata de defender o slogan de “bandido bom é bandido morto” como se todo mundo fosse perverso, psicopático, sádico, fascista, higienista e gostasse de uma carnificina.

 

População farta

A maioria da população brasileira é simplesmente “normal”. Só está farta, exausta, de pagar impostos exorbitantes e não verificar uma contrapartida a altura do poder público na área de segurança pública. O brasileiro médio já sabe que não basta prender, enviar para uma penitenciária e que está tudo resolvido. Não está. Em pouco tempo, esses criminosos encontram um juiz que os solta. Sabe que de dentro das penitenciárias partem ordens para crimes, execuções, retaliações. Sabe que a legislação penal brasileira é branda, favorável a criminosos. Não é preciso ser um brasileiro muito bem informado para se dar conta de que a guerra ao crime organizado dá sinais de revelar-se uma guerra perdida. Por isso, ninguém é ingênuo ao ponto de acreditar que bastam mega-operações como esta no Rio para enfraquecer as facções.

 

Baque e tentáculos

Naturalmente, deve ter sido um grande baque ao Comando Vermelho. Contudo, as facções possuem muitos tentáculos enraizados na sociedade, na economia, no poder público, na Faria Lima, inclusive… E, também, ninguém é idiota para não pensar que, sem demora, os “soldados“ das facções serão substituídos.

 

Recado aos criminosos

Entretanto, a megaoperação policial, se não soluciona, não elimina, ao menos, mitiga a facção. E deixa o recado aos criminosos de que as forças policiais estão atuantes. De que as polícias estão dispostas a um enfrentamento à altura. Obviamente, são necessários mais investimentos, mais estrutura, mais condições de trabalho aos policiais. O que demanda esforços conjuntos nas três esferas de poder, principalmente, na esfera estadual e na federal.

 

Prerrogativas federais

Ao governo federal, não seria de bom tom criticar o governador do Rio, Cláudio Castro (PL), como se o combate ao crime organizado não fosse prerrogativa da Polícia Federal, também, e do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O governo federal detém um papel central neste enfrentamento, a começar pelo policiamento nas fronteiras. Drogas e armamentos entram pelas nossas fronteiras, muito próximas de países historicamente produtores de drogas, a exemplo da Colômbia, do Peru, da Venezuela. Nossos portos e aeroportos estão levando as drogas para a Europa, em especial, e outras localidades como a Ásia. O governo federal não pode culpar nenhum governador por “excessos” enquanto não faz o mínimo esperado dentro de suas prerrogativas.

 

Facções no Nordeste e Amazônia

Ainda, vale lembrar que o problema do domínio das facções não se limita a Rio e São Paulo. O Nordeste, talvez, encontre-se em cenário mais grave. A Amazônia é outra área “tomada“ pelo crime organizado. Há notícias, até, de que populações indígenas estão sendo aliciadas para o tráfico de drogas e outros crimes.

 

União de governadores de direita

Sem um esforço conjunto entre governadores, também, não será possível conduzir um enfrentamento à altura dessas facções cada vez maiores e poderosas. Seria fundamental a união de governadores de direita e centro-direita neste enfrentamento. As grandes facções costumam atuar na maior parte do território nacional. Para o combate a facções do crime organizado é preciso o mesmo nível de organização e união entre os estados, também. Da direita e centro-direita ainda se pode esperar uma contrapartida positiva em defesa da população honesta.

 

Traficantes “vítimas”

Já em estados onde há governadores de esquerda, permanece a mesma ladainha de sempre em torno da preocupação com a “violência policial”, os “direitos dos manos”, as “vítimas da sociedade”… Não deve ser coincidência o crescimento da atuação das facções no Nordeste…Principalmente, quando se conta com um presidente da República que passa a mão na cabeça de traficantes ao afirmar que eles seriam vítimas dos usuários de drogas. Mas as eleições de 2026 estão batendo às portas e o eleitorado não deverá esquecer tudo isso tão facilmente…

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