As deputadas estaduais eleitas no último dia 4, que exercerão o primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Paraná a partir do próximo ano, foram recebidas no dia 19, segunda-feira, pela Bancada Feminina do Poder Legislativo. No encontro realizado no Salão Nobre, a líder do colegiado, deputada Mabel Canto, apresentou às novas representantes o funcionamento e o trabalho desenvolvido pelo grupo parlamentar na Casa de Leis.
Participaram as futuras parlamentares Delegada Tathiana Guzella, Fabiana Parro, Lu Bonatto, Miss Preta e Yasmin Hachem, que tomarão posse no dia 1º de fevereiro de 2027. Na próxima legislatura, o Parlamento Estadual contará com uma representante a menos, passando de dez para nove deputadas em plenário.
ACOLHIMENTO E INTEGRAÇÃO
“Estamos dando as boas-vindas e parabenizando-as. Queremos somar forças por mais quatro anos pelas mulheres do nosso Estado. Não é fácil a vida da mulher em qualquer espaço, principalmente no político. Quando estamos unidas, conseguimos chegar aos objetivos que pleiteamos”, frisou Mabel. Reeleita para o terceiro mandato na Assembleia Legislativa do Paraná, ela ressaltou a importância de as novas parlamentares contarem com o apoio das veteranas diante dos desafios do primeiro mandato. “Quando assumi, aprendi muito com as deputadas que aqui estavam. E estou aqui para fazer essa parceria.”
Criada em agosto de 2022 por meio da Resolução 11, a Bancada Feminina possui caráter suprapartidário e conta com a participação de todas as parlamentares estaduais. Mabel detalhou os dispositivos da norma legal que assegurou a representatividade feminina na composição da Mesa Diretora e a participação do grupo no Colégio de Líderes e no horário reservado às lideranças. A medida buscou ampliar a participação das mulheres no Parlamento. Na época da promulgação, nenhuma das nove vagas da Mesa Diretora pertencia a uma parlamentar.
DIREITOS E LEGISLAÇÃO
Mabel Canto também entregou a cada uma das futuras deputadas estaduais uma cópia do Código Estadual da Mulher Paranaense, instituído pela Lei 21.926/2024. Fruto de um amplo trabalho das parlamentares da atual legislatura, o documento reuniu toda a legislação estadual relacionada aos direitos femininos, facilitando o acesso público às normas. A líder da Bancada apresentou ainda outras instâncias da Casa dedicadas ao tema, como a Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher e a Procuradoria Especial da Mulher. Além disso, destacou o Prêmio Rosy de Macedo Pinheiro Lima, iniciativa do colegiado que reconhece anualmente a atuação feminina na sociedade.
As novas representantes do Parlamento também compartilharam experiências e expectativas em relação à atuação do colegiado nos próximos quatro anos. “Embora, infelizmente, tenha diminuído o número de deputadas na próxima legislatura, tenho certeza de que as novas deputadas farão história dentro do seu espectro ideológico, das coisas em que acreditam e do estado que sonham construir”, pontuou Yasmin Hachem. Atual vereadora de Foz do Iguaçu, no Oeste do Estado, ela relatou os desafios enfrentados ao assumir o cargo pela primeira vez, aos 24 anos.
LIDERANÇA E REPRESENTATIVIDADE
“Penso muito no legado que vamos deixar aos nossos filhos. A mulher tem essa sensibilidade, essa diferença de olhar. Tenho certeza de que, onde estivermos, levamos isso. E isso faz a diferença”, refletiu Fabiana Parro, vice-prefeita de Paranaguá, no Litoral paranaense. “Há 24 anos não há representante do litoral [na Alep]. E ser a primeira mulher é, para mim, uma honra.”
Miss Preta, vereadora de Pinhais, município da Região Metropolitana de Curitiba, destacou o potencial da Bancada Feminina para a proteção da população feminina. “Será uma bancada forte, que trabalhará em prol das mulheres paranaenses e, acima de tudo, pensará nos direitos das mulheres para garantir esse espaço. A gente vai se fortalecer em relação a essa pauta”, garantiu.
HISTÓRICO E METAS
Apesar da redução no número de deputadas na próxima legislatura, Lu Bonatto ressaltou que o último pleito também trouxe conquistas expressivas. Ela citou a votação expressiva da deputada Jessicão, que obteve 132 mil votos, a segunda maior entre todos os eleitos, além da escolha de Miss Preta, a primeira mulher negra eleita para a Assembleia Legislativa do Paraná. “Esta legislatura começa com dois fatos históricos. Espero que tenhamos esse poder de representar e de inspirar outras mulheres”, destacou. A futura parlamentar chamou a atenção para o fato de que diversas câmaras municipais do Estado ainda não contam com vereadoras.
“Temos que conquistar nossos espaços e deixar isso claro não só nas questões da mulher, mas também nas questões das quais a mulher faz parte”, complementou a Delegada Tathiana Guzella, vereadora da capital. “Que nós consigamos ser reconhecidas não só pela pauta da mulher, mas também pela pauta em que acreditamos ser importante para a sociedade.”













