O campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília (UnB) sedia, entre os dias 28 e 31 de julho de 2026, o 14º Congresso Nacional de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene). O evento, consolidado como o maior encontro de intelectuais e acadêmicos negros do país, projeta atrair milhares de participantes, incluindo estudiosos da América Latina. Organizado pelo Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB/UnB), pela Associação Brasileira de Pesquisadores(as) Negros(as) (ABPN) e pelo CONNEABS, o congresso promove debates científicos urgentes sobre justiça social, equidade racial e a valorização da produção acadêmica afrodiaspórica em Brasília.
Programação e relevância do Copene em Brasília
A edição de 2026 do Copene transforma a capital federal no epicentro da produção científica negra. A programação do evento abrange uma estrutura robusta com minicursos, oficinas práticas, painéis temáticos e mesas redondas com especialistas de renome internacional. Além dos debates, o congresso abre espaço para o mercado editorial com o lançamento planejado de dezenas de livros acadêmicos.
Os organizadores do evento destacam o Copene como um espaço altamente estratégico para a difusão da ciência e para o fortalecimento de redes de pesquisa. O foco central das discussões gira em torno da formulação de propostas práticas que possam guiar políticas públicas voltadas à promoção direta da equidade racial e ao combate do racismo estrutural nas instituições de ensino superior.
UnB: pioneirismo nas cotas raciais e o cenário federal
A escolha da UnB para sediar o 14º encontro carrega um forte simbolismo histórico. A Universidade de Brasília despontou no cenário nacional em 2003 ao se tornar a instituição federal de ensino pioneira na adoção de um programa de cotas raciais para o acesso à graduação.
O movimento iniciado na capital federal gerou um efeito cascata que culminou na aprovação da Lei de Cotas (Lei 12.711/2012). Atualmente, o avanço dessa legislação garante que todas as 69 universidades federais em funcionamento no Brasil possuam reserva de vagas e ações afirmativas para estudantes pretos e pardos.
Acesso às universidades e a evolução da pesquisa científica
A aplicação contínua das políticas afirmativas alterou significativamente o perfil demográfico do ensino superior no Brasil ao longo das últimas duas décadas. Dados consolidados do Censo Populacional do IBGE revelam um salto expressivo na escolaridade da população negra entre os anos de 2000 e 2022:
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Pessoas pardas com graduação: O índice subiu de um patamar tímido de 2,4% para 12,3%.
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Pessoas pretas com graduação: A proporção avançou de 2,1% para 11,7%.
Apesar do avanço histórico inegável, a disparidade socioeconômica e educacional ainda desafia as instituições brasileiras. Os percentuais registrados para pretos e pardos permanecem abaixo da metade do índice verificado na população branca, onde 25,3% dos indivíduos possuem diploma de curso superior.
Doutores negros na liderança e representatividade no CNPq
O crescimento da representatividade também se reflete nos níveis mais altos da pós-graduação e da coordenação de projetos científicos. O percentual de doutores negros no comando de grupos de pesquisa certificados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) saltou de 8,1% para 22,6% no mesmo período histórico analisado.
O cenário atual do país abriga um corpo de aproximadamente 15 mil pesquisadores negros em atividade. Contudo, quando confrontados com a demografia geral do Brasil, os números evidenciam que ainda há um longo caminho regulatório e social pela frente. A proporção de cidadãos pretos e pardos no conjunto total da população brasileira atinge 55,5%, patamar substancialmente superior à representação desses profissionais nos postos de liderança científica nacional.












