Ibovespa sobe e dólar cai com expectativa de Selic

© Rovena Rosa/Agência Brasil
Bolsa de Valores sobe impulsionada por dados fracos da produção industrial e dólar recua para R$ 5,16 em dia de feriado nos EUA. Entenda o cenário econômico

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira (B3), voltou a fechar acima dos 174 mil pontos nesta sexta-feira (3 de julho de 2026), impulsionado pela divulgação de dados fracos sobre a produção industrial de maio. O resultado do indicador econômico aumentou as apostas do mercado financeiro em um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic pelo Comitê de Política Monetária (Copom) na reunião de agosto. Paralelamente, o dólar comercial registrou queda de 0,76%, recuando para o patamar de R$ 5,16, em uma sessão marcada por baixa liquidez devido ao feriado da Independência nos Estados Unidos.

Produção industrial fraca eleva apostas de corte na taxa Selic

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a produção industrial brasileira registrou um recuo de 0,2% em maio na comparação com o mês de abril. Como o resultado veio abaixo das projeções traçadas pelo mercado financeiro, investidores e analistas recalibraram suas expectativas para os próximos meses.

A desaceleração na atividade fabril reforça a percepção de que a economia nacional está perdendo tração sob o patamar atual de juros. Consequentemente, o mercado consolidou o cenário de que o Banco Central do Brasil iniciará uma flexibilização monetária na reunião de agosto, optando por uma redução na taxa Selic. Essa perspectiva de crédito mais barato estimulou o apetite por risco na renda variável.

Ibovespa registra maior fechamento em um mês

Beneficiado diretamente pelo otimismo em relação aos juros futuros, o Ibovespa encerrou a sessão com uma valorização de 0,74%, atingindo os 174.070,27 pontos. Este patamar representa o maior nível de fechamento do índice desde o dia 2 de junho. Com o desempenho positivo do dia, a Bolsa de Valores acumulou um ganho de 0,45% na semana e expandiu o avanço anual para 8,03%.

As ações de empresas ligadas ao consumo, varejo e construção civil — setores historicamente mais sensíveis ao custo do crédito — lideraram os ganhos do pregão. A expectativa de melhora nos balanços corporativos após o eventual corte na taxa Selic tornou os preços dos ativos brasileiros ainda mais atraentes.

O volume financeiro total da rodada de negócios somou R$ 12,6 bilhões. O montante ficou consideravelmente abaixo da média diária da B3, refletindo a ausência de investidores estrangeiros tradicionais devido ao fechamento das bolsas em Wall Street.

Dólar recua e real acompanha moedas emergentes

No mercado de câmbio, o dólar comercial apresentou uma trajetória de queda ao longo de toda a sexta-feira. A moeda norte-americana recuou R$ 0,04 e fechou cotada a R$ 5,168. O movimento praticamente eliminou a valorização que a divisa vinha acumulando nos últimos dias, encerrando a semana com uma variação positiva residual de apenas 0,03%. No acumulado do ano de 2026, o dólar registra desvalorização de 5,83% frente à moeda brasileira.

Além do cenário doméstico favorável à queda da taxa Selic, o real pegou carona no fortalecimento global de moedas de países emergentes. Investidores internacionais seguiram repercutindo os dados mais fracos sobre o mercado de trabalho nos Estados Unidos, que foram divulgados no dia anterior. Os números reduziram o receio global de que o Federal Reserve (Fed) adote uma postura monetária ainda mais restritiva nos próximos meses. O índice DXY, que monitora a força do dólar contra uma cesta de moedas fortes, manteve-se estável durante o dia.

Feriado nos Estados Unidos reduz liquidez e Tesouro intervém

A comemoração do feriado de 4 de julho nos Estados Unidos paralisou o mercado de títulos públicos e as bolsas de Nova York. Sem essa referência externa essencial, o mercado financeiro brasileiro operou com volume reduzido, o que limitou a formação de tendências de longo prazo ou movimentos mais agressivos.

A estabilidade interna também recebeu suporte do Ministério da Fazenda. O secretário-executivo da pasta, Rogério Ceron, confirmou publicamente a possibilidade de o Tesouro Nacional realizar novas intervenções cirúrgicas no mercado de títulos públicos caso seja necessário garantir a estabilidade do sistema. A declaração ajudou a deprimir as taxas de juros no mercado futuro, criando um ambiente ainda mais propício para a valorização das ações na Bolsa de Valores.

Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br

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