Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Se direita continuar insistindo em Flávio, corre sério risco de derrota para Lula

A nova pesquisa eleitoral acende o sinal de alerta na direita

A última pesquisa de intenção de voto para as eleições presidenciais divulgada pelo instituto Genial/Quaest, publicada na quarta-feira (10/06), joga um balde de água gelada na candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). No segundo turno, o presidente Lula abre seis pontos de vantagem sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, com 44% contra 38%. Na rodada anterior, o petista contava com, apenas, 1% de vantagem, percentual considerado empate técnico.

“Golpe de mestre”

Se continuar assim, Flávio corre sério risco de perder as eleições para o presidente Lula. Não se trata de torcida, mas de realidade. O marketing do petista deu um “golpe de mestre” ao associar o escândalo do banco Master a Flávio Bolsonaro. A estratégia colou em boa parte do eleitorado não-bolsonarista. Não que não tenha sido realmente algo grave as ligações de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Mas o fato é que o vazamento seletivo do portal The Intercept terminou por favorecer a campanha à reeleição do presidente Lula. Isso é inegável. Enquanto o filho do presidente Lula, envolvido no escândalo do INSS, não obteve a mesma repercussão midiática.

Trump em baixa

Mas tão desfavorável quanto, tem sido a própria “estratégia” da família Bolsonaro para tentar arrebanhar apoio popular. A viagem de Flávio aos Estados Unidos para um encontro com Trump não gerou reflexos positivos. O presidente Donald Trump anda com uma péssima reputação no mundo inteiro, por conta da insistência em prolongar o conflito no Irã, trazendo consequências à economia mundial, a exemplo da inflação e de uma crise energética sem precedentes. Além de, volta e meia, perseguir determinados países com ameaças de taxação e barreiras tarifárias. Recentemente, a implicância do americano voltou-se mais fortemente para o Pix. O nosso Pix. Uma criação de servidores de carreira do Banco Central, idealizada a partir de 2018, ainda no governo Temer. Trump quer acabar com o nosso Pix por que desfavorece a atuação de empresas americanas no Brasil, a exemplo de cartões como Visa e MasterCard. O Pix, utilizado por milhões de brasileiros, já movimenta mais recursos que os pagamentos por cartões. Claro, Trump defende os interesses das empresas americanas. Tão, somente.

Zelle, sistema americano

Mas o que faz Eduardo Bolsonaro diante de mais esta afronta a soberania nacional perpetrada por Trump? Eduardo ainda defende o ataque de Trump, sugerindo que o Brasil negocie com o mandatário da Casa Branca a substituição do Pix pelo sistema de pagamento Zelle, criado por bancos americanos. Um sistema que não oferece nenhuma proteção ao consumidor, a exemplo de proteção contra golpes e fraudes. Traição à pátria, à soberania brasileira e ao próprio povo é pouco o que o ex-deputado cassado faz… E Flávio Bolsonaro ainda espera crescer nas intenções de voto depois dessa? Trump, aliás, depois da viagem de Flávio, volta a ameaçar taxar as exportações brasileiras em 25%. Os irmãos Bolsonaro só têm jogado lenha na fogueira na briga de Trump com o Brasil e ainda esperam que o eleitorado não-fanático pelo bolsonarismo apoie a candidatura de Flávio?

Derrota iminente

Se a direita continuar insistindo que a única candidatura viável é a de Flávio Bolsonaro para fazer frente ao petista, a tendência é perder a eleição. Flávio Bolsonaro é o candidato menos viável na direita para derrotar Lula. Ronaldo Caiado, Romeu Zema e até o novato Renan Santos, do recém-fundado partido Missão, apresentam condições muito melhores de derrotar Lula no segundo turno.

Nome de Moro sondado

Tanto que já se especula que a candidatura de Flávio possa não ser homologada, encontrando-se um substituto viável para a direita. O nome do senador Sérgio Moro já estaria sendo sondado como alternativa em uma candidatura a presidente da República. O que traria um cenário bem mais favorável ao governador Ratinho Júnior no estado, que tenta emplacar o nome do ex-secretário Sandro Alex na sucessão.

Nome mais viável

Até às convenções partidárias, muito pode acontecer. A esperança é a desistência de Flávio, e a aposta da direita em um nome mais viável. Se insistirem na teimosa de dar protagonismo a integrantes da família Bolsonaro, a direita deverá enfraquecer e perder uma grande oportunidade de derrotar a esquerda e, especialmente, o lulismo.

Independentes são maioria

Estima-se que 30% do eleitorado são independentes, desvinculados de identificação ideológica e de apoio a lideranças políticas. É o maior grupo no eleitorado brasileiro e o que decide as eleições. Trata-se de votos voláteis, de eleitores que decidem o voto conforme a conjuntura do momento, social, econômica e politicamente. São os chamados eleitores indecisos, os mais tendentes a trocar de voto, inclusive, na última hora. Flávio perdeu pontos principalmente entre esses eleitores. Bolsonaristas e esquerdistas não-lulistas constituem-se em 13% do eleitorado, cada. A direita não-bolsonarista reúne cerca de 22% do eleitorado, bem como a esquerda lulista encontra-se neste percentual.

Hegemonia política

Enfim, só o bolsonarismo não tem densidade eleitoral para eleger ninguém. Continuar investindo no bolsonarismo é levar a direita ao naufrágio. Que o bom senso, o realismo e os interesses nacionais prevaleçam.

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