Pelo segundo ano consecutivo, os indicadores da Secretaria Municipal da Saúde (SMS) consolidam uma vitória expressiva de Curitiba contra a dengue. Entre 1 de janeiro e 15 de abril de 2026, a cidade registrou apenas 62 casos confirmados, uma queda de 94% em relação aos 999 registros do mesmo período de 2025. O recuo é ainda mais drástico se comparado a 2024, quando o município enfrentou 7.093 casos, representando uma redução atual de 99%.
A taxa de incidência, que mede o número de casos a cada 100 mil habitantes, acompanhou o declínio: o índice despencou de 905, em 2024, para os atuais 19 registros em 2026. Além da retração estatística, a capital mantém o indicador de zero óbitos pela doença neste ano. Para a secretária municipal da Saúde, Tatiane Filipak, os resultados refletem o Plano Municipal de Enfrentamento da Dengue, que coordena ações intersetoriais entre diversas secretarias.
Tecnologia e Inovação
A estratégia da prefeitura combina vigilância tradicional e alta tecnologia. Para acelerar o fluxo de dados, a SMS utiliza o Robô Notificador, que coleta registros no sistema e-saúde e realiza a digitação automática no banco de dados do Ministério da Saúde. No campo, drones sobrevoam áreas de difícil acesso e imóveis fechados. As imagens capturadas servem de prova técnica para autuações e multas aos proprietários que descumprem as normas de limpeza urbana.
Outro pilar tecnológico é o monitoramento por armadilhas. Atualmente, quase 2 mil dispositivos (ovitrampas e mosquitraps) estão espalhados pela cidade, além de 1,2 mil estações disseminadoras de larvicida. A mais recente inovação é a parceria para a implantação dos Wolbitos no bairro Sítio Cercado. São mosquitos com a bactéria Wolbachia, que impede a transmissão dos vírus da dengue, zika e chikungunya, criando uma população de insetos inofensiva à saúde humana.
Mutirões e Vacinação
O combate direto ao vetor é reforçado pela zeladoria urbana. Em 2025, 66 mutirões recolheram 412 toneladas de resíduos. Em 2026, o cronograma já soma 18 edições com 167 toneladas retiradas das ruas. O trabalho operacional conta com 108 Agentes de Combate às Endemias, que realizam vistorias em um raio de 150 metros a partir de qualquer caso confirmado para garantir o bloqueio imediato da transmissão.
A proteção da comunidade também avançou no campo da imunização. Desde o ano passado, o município disponibiliza a vacina contra a dengue para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos. Em 2026, a prefeitura ampliou o público-alvo para incluir agentes de combate às endemias, agentes comunitários de saúde e profissionais da atenção primária que atuam em regiões de maior vulnerabilidade, como Tatuquara, Bairro Novo, CIC e Cajuru.
Alerta no Outono
Mesmo com os números positivos, a gestão municipal reforça que a vigilância deve ser contínua. Com a chegada do outono e inverno, o ciclo de reprodução do mosquito desacelera, mas não termina. Os ovos do Aedes aegypti possuem alta resistência e podem permanecer latentes em locais secos por até 450 dias. O alerta é para que a população mantenha a limpeza de reservatórios e calhas, preparando a cidade para o próximo verão.
A preocupação das autoridades sanitárias também se volta para a meteorologia. Há previsão de formação do fenômeno El Niño para o final deste ano, o que deve trazer calor e chuvas acima da média, ambiente ideal para a proliferação do mosquito. A prefeitura seguirá com campanhas educativas e o uso de adulticida em áreas de alta transmissão para garantir que os índices de 2027 permaneçam sob controle rigoroso.







