O Centro de Curitiba vem atraindo uma nova onda de investimentos. Novos hotéis, supermercados, empreendimentos imobiliários, casas de espetáculos, restaurantes, comércio e restauro de imóveis históricos estão mudando a paisagem da região. No embalo do programa municipal Curitiba De Volta ao Centro, os projetos se multiplicam. O ritmo de abertura de novas empresas na área cresce o dobro da média da cidade.
De janeiro a setembro deste ano, 6,8 mil empresas foram abertas na região, o que representou um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados da Secretaria Municipal de Planejamento, Finanças e Orçamento. Na mesma base de comparação, o número de novos alvarás em toda a cidade cresceu 34%, alcançando 61,5 mil registros.
ENGAJAMENTO GERAL
“Quando lancei o Curitiba de Volta ao Centro, eu sempre disse que a Prefeitura ia liderar esse projeto, mas se todo o ecossistema da construção, do turismo, da gastronomia, a sociedade civil e o empresariado não viessem juntos, os resultados não seriam os mesmos. A cidade está empenhada na revitalização do Centro, todo mundo acreditou neste projeto, que traz vida para o coração da nossa cidade, e os resultados já estão aparecendo”, disse o prefeito Eduardo Pimentel.
A região volta a pulsar com o aumento do número de moradores, turistas e frequentadores. O setor imobiliário já despertou para esse movimento. Segundo dados da Brain Consultoria, que elaborou estudo para a Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná, a área atrai projetos desde o fim da pandemia e o mercado continua aquecido.
MERCADO IMOBILIÁRIO
Somente no primeiro semestre deste ano foram lançados nove empreendimentos no Centro, 80% mais do que em todo o ano passado. O volume representa 2.158 novas unidades habitacionais na região, um salto de 75% sobre o volume de 2025. O Centro representa atualmente 18,5% do total de unidades lançadas no município.
O segmento hoteleiro também investe na região, que concentra, com o bairro São Francisco, 60,4% dos hotéis da cidade, segundo levantamento do Curitiba Turismo. A proximidade de pontos turísticos, a infraestrutura e o fácil deslocamento são pontos fortes da área, que soma 61 dos 101 hotéis existentes na capital, totalizando 17.661 leitos disponíveis.
PROJETOS DE RETROFIT
O antigo Hotel Clímax, na Alameda Doutor Muricy, recebe investimento total de R$ 30 milhões para a construção de 132 apartamentos com a bandeira internacional Holiday Inn Express, com conclusão prevista para 2029. Em paralelo, prédios históricos reabrem as portas. O imóvel do antigo Cine Lido, fundado em 1959 na Rua Ermelino de Leão, recebeu R$ 22 milhões para abrigar uma nova casa de espetáculos com capacidade para 2,5 mil pessoas.
“São investimentos que requalificam a região e que ampliam a frequência de pessoas no Centro e novos negócios. Muitos dos projetos ocupam locais que estavam desocupados há anos, incluem reformas, retrofit e restauro, com impacto importante na paisagem urbana”, lembra Tatiana Turra, coordenadora do programa municipal.
INCENTIVOS FISCAIS
Além dos projetos em curso, novos aportes serão impulsionados por incentivos fiscais de R$ 133 milhões e pelo edital de subvenção da Prefeitura. O mecanismo prevê reembolso de 25% a 50% do valor das revitalizações e atraiu 47 propostas que somam R$ 283 milhões em investimentos em habitação, hotelaria, comércio, serviços, gastronomia e economia criativa. As propostas contempladas devem ser conhecidas em novembro.
Outro exemplo de revitalização é o Edifício Apolo, na Rua Mateus Leme. Construído em 1970, o prédio foi reinaugurado em setembro após passar por retrofit. Agora, reúne 54 apartamentos semimobiliados, lojas no térreo, academia, coworking e rooftop.
VAREJO E SERVIÇOS
No setor de varejo, a rede de supermercados Muffato assumiu duas lojas na região, enquanto o Festval abriu unidades nas praças Osório e Ouvidor Pardinho, preparando novo ponto na Rua Marechal Deodoro. A rede de artigos esportivos Serallê estreou no mercado curitibano com uma megaloja de 1,2 mil metros quadrados na esquina da Rua XV de Novembro com a Monsenhor Celso, em prédio onde funcionava uma grande agência bancária.
POLO GASTRONÔMICO
O Centro também se consolida como polo gastronômico, com a abertura de estabelecimentos como a sorveteria Soft Ice, a trattoria Piccolina e o Empório Francesca, além de expansão no setor de cafeterias, que cresceu 23% na região com 662 novos espaços abertos, como o coreano Hozak, o Cafézinho, dona Helena? e o Medialuna Sabores Argentinos. A boemia tradicional ganhou o retorno do Bar Stuart, o mais antigo do Estado, reaberto em junho na Praça Osório após restauro. Ao lado, o Consulado Central reforça o clima dos botequins clássicos.
ECONOMIA CRIATIVA
Na economia criativa, o Centro Portfolio de Fotografia passou a ocupar o histórico Edifício Schmidlin Tamm, unindo fotografia, arte, gastronomia, moda e educação. Já a marca curitibana de tênis e moda urbana Öus instalou loja conceito e café em um prédio de 1919 na Rua Saldanha Marinho, promovendo eventos culturais no calçadão em frente à sede restaurada.













