A vereadora de Pinhais Miss Preta (PT) foi eleita deputada estadual com 45.566 votos e se tornou a primeira mulher negra eleita para a Assembleia Legislativa do Paraná. Em Pinhais, sua maior votação, obteve 8.377 votos. Em entrevista à A Gazeta Cidade de Pinhais, a parlamentar, que exercerá o mandato a partir de 2027, avaliou o resultado e anunciou as bandeiras do novo cargo. Confira os principais trechos:
A Gazeta Cidade de Pinhais – Foram mais de 45 mil votos, mostrando liderança na cidade. Como a senhora recebeu?
Miss Preta: “Sendo bem sincera, ainda estou assimilando tudo isso, porque sou muito pé no chão. Faço campanha para ganhar, mas com muita fé. Quando o resultado foi abrindo — 4 mil, 10 mil, 13 mil, 20 mil — confesso que entrei em êxtase. Falei: meu Deus, é muita gente. O povo saiu no domingo para votar e acreditar numa mulher negra, primeira deputada estadual negra do Paraná, e eu fiquei muito emocionada.”
“A primeira coisa que quis foi ligar para a minha família, para minhas irmãs, para dividir aquela emoção, porque é histórico. Não sou nascida no Paraná: venho de uma região quilombola, Travessão de Campos (RJ), sou cria do MST. Minha mãe cortou cana, muito pobre, de um lugar sem perspectiva de sonho. Quando você passa por essa trajetória, passa um filme na cabeça: a filha de cortadores de cana migrantes fazendo história no Paraná. Mas, acima de tudo, tenho a responsabilidade de representar o povo paranaense — os que votaram e os que não votaram, porque depois de eleita a gente representa todas as pessoas.”
A Gazeta: A senhora vai ser oposição ao governo Moro. Como será sua postura na Alep?
Miss Preta: “Meu papel eu já mostro aqui na Câmara Municipal de Pinhais. Não tenho pretensão nenhuma de perseguir político, de ser aquela oposição que sobra para lacrar e gritar. Vou lutar pelo povo paranaense, levar a voz do povo para dentro da Assembleia, brigar pelo que tem que ser brigado, mas com responsabilidade. O povo pode esperar de mim trabalho, coerência e respeito. Depois que é eleito, a gente tem que trabalhar junto por um bem maior, que é o Paraná. Mas sem corpo mole: vou trabalhar muito e fiscalizar.”
A Gazeta: Qual a principal bandeira que a senhora leva para a Assembleia?
Miss Preta: “A educação é a base, uma das poucas ferramentas que de fato conseguem mudar a vida das pessoas. Minha mãe e minha família não tiveram acesso à educação. Sou a primeira da minha família a chegar a uma universidade, e só tive essa oportunidade através dela. Sou formada em Processos Gerenciais pela FAPI e Técnica em Segurança do Trabalho, pelo Pronatec. A ex-diretora da escola onde estudei me escreveu lembrando de mim na biblioteca, recitando poesia de Mário Quintana no Café Literário. Quando criança e adolescente têm escola boa e estruturada, sem hora vaga, tudo muda.”
“Vou lutar para isso e fazer pente fino: está faltando merenda? A escola está com hora vaga? Será um mandato popular, participativo, que acolhe a denúncia e a voz da população, com gabinete aberto, como faço como vereadora.”
A Gazeta: O hospital de Pinhais é tripartite, mas a prefeitura tem desembolsado muito para mantê-lo. A senhora, e também o deputado federal Luizão Goulart, serão peças-chave para garantir recursos. O que a senhora vai fazer?
Miss Preta: “Vamos ter que brigar pelo recurso para que o dinheiro venha para cá. O que me deixa triste é saber que o hospital está realmente estourando a verba do município, porque precisa de muito recurso. Tudo precisa de planejamento: houve conversa com o governo federal? Com o governo do Estado? O Ratinho veio aqui inaugurar o hospital e usou isso como propaganda política. Levantar um hospital não é difícil; a estrutura bonita precisa ser mantida agora. E parece que não houve essa organização financeira antes. O hospital é importante. Hoje temos neonatal, e as criancinhas nascem com mais probabilidade de dar tudo certo no parto, mas o povo de Pinhais esperava mais e está decepcionado. Eu falo isso porque escuto nas ruas.”
A Gazeta: Uma mensagem para os pinhaenses. O que podem esperar da Miss Preta?
Miss Preta: “Pinhais foi a cidade que me acolheu e acreditou em mim, e eu jamais vou abandonar de onde vim. Aqui me tornei presidente do Conselho da Juventude, foi uma liderança que Pinhais viu nascer e me deu suporte. Fui muito bem votada dentro da cidade, com mais de 8 mil votos. Podem esperar uma parlamentar que não vai aparecer só de quatro em quatro anos, que vai mostrar serviço, trazer recurso, buscar emenda parlamentar e articular pelo nosso povo trabalhador. Somos a menor cidade em extensão territorial do Paraná, mas uma cidade que cresce cada vez mais. Deixo a mensagem de que mantenham a esperança e, quando forem às urnas, escolham as pessoas que trabalham e não abandonam o município.”
“E é importante dizer: saiu de Pinhais a primeira deputada estadual negra do Paraná.”













