Cerca de 40% das crianças com transtorno do espectro autista (TEA) apresentam transtornos de ansiedade, o que torna o atendimento oftalmológico um desafio que exige preparação especializada, ambiente adaptado e novas abordagens clínicas por parte dos profissionais da saúde.
Desafios no Atendimento Oftalmológico de Crianças com TEA
Hipersensibilidade sensorial, intolerância à quebra de rotina e baixa adesão ao tratamento domiciliar estão entre as principais barreiras enfrentadas por profissionais de saúde ao atender crianças com transtorno do espectro autista (TEA). Segundo a oftalmologista Raíra Fortuna, cerca de 40% desses pacientes apresentam quadros de ansiedade associados, enquanto menos de 4% dos médicos relatam capacitação específica para o público.
O que frequentemente é rotulado como mau comportamento na clínica reflete, na verdade, confusão ou sobrecarga diante de um ambiente pouco adaptado. Essa barreira impede a realização de exames essenciais, como a detecção de estrabismo, condição cuja prevalência em crianças com TEA chega a 41%, comparado a apenas 3% no desenvolvimento típico.
Estratégias Práticas para Consultas Mais Inclusivas
Durante o 70º Congresso Brasileiro de Oftalmologia (CBO 2026), em Salvador, a especialista detalhou o método estruturado em três etapas fundamentais para otimizar o atendimento:
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Preparação prévia: Agendamento inteligente em horários de menor movimento, questionários sobre o perfil sensorial da criança e envio de vídeos explicativos do consultório aos pais para garantir previsibilidade.
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Adaptação do ambiente: Redução de estímulos sonoros e visuais, controle da iluminação, oferta de salas de espera silenciosas e permissão para o uso de brinquedos ou objetos de conforto.
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Execução humanizada: Uso de frases curtas e objetivas, apresentação prévia dos equipamentos, respeito ao tempo de processamento da criança e prevenção de toques físicos inesperados.
Capacitação da Equipe e Qualidade do Cuidado
A adaptação do consultório e o treinamento de toda a equipe médica e de apoio transformam a experiência clínica, garantindo a preservação da saúde ocular infantil. Investir em capacitação é indispensável para superar barreiras e assegurar um atendimento humanizado e eficiente nas redes de saúde.













