Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Vitória da oposição na CPMI do INSS promete investigação técnica

A CPMI tem a obrigação de fazer a coisa certa, sendo coerente com a verdade

Reviravolta e vitória da oposição na instalação da CPMI do INSS, na manhã de quarta-feira (20/08), no Congresso Nacional. Era dada como certa a vitória do senador Omar Aziz (PSD-AM) para a presidência da CPMI. Da base governista, Aziz era uma indicação do presidente do Senado, David Alcolumbre (União-AP). Contudo, o oposicionista senador Carlos Viana (Podemos-MG) venceu Aziz com dezessete votos contra quatorze votos.

Na relatoria, outra reviravolta. O indicado do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), era o deputado federal Ricardo Ayres (Republicanos-TO), mas venceu o bolsonarista Alfredo Gaspar (União-AL). Quando o resultado foi divulgado, parlamentares da oposição bradaram um coro de vitória contra o PT.

 

Na calada da noite

As articulações que resultaram na vitória da oposição ocorreram a partir das 21 horas e 45 minutos da terça, estendendo-se até às três horas da madrugada. A bancada do PL reuniu-se para decidir que haveria um só candidato para não dividir os votos. O senador Eduardo Girão (NOVO-CE) aceitou desistir de tentar a presidência. O deputado Sóstenes Cavalcante, do PL do Rio e líder do partido na Câmara, jantou com Viana para acertar como seria a sequência da articulação. Até às três da manhã, foram reunidos os dezessete votos que deram vitória a oposição.

 

Alcolumbre e Motta derrotados

O presidente do Senado, David Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, participaram da articulação e saíram derrotados. Ambos queriam emplacar nomes da base governista com o intuito de não dar notoriedade à CPMI e produzir um relatório ameno ao governo.

 

Ex-ministros convocados

Mas com a oposição no comando da CPMI, a condução dos trabalhos pode ganhar um tom bem mais desfavorável ao governo. Viana disse a imprensa que quer ouvir todos os últimos ministros da Previdência. “Chega de escândalos jogados pra debaixo do tapete. Todos os personagens dessa trama do INSS serão convocados. Será um relatório técnico com o objetivo de descobrir os responsáveis e não mais permitir que esse assalto à Previdência continue a ocorrer. Vamos dar respostas à população brasileira“, disse.

 

“Coerência com a verdade”

Gaspar assumiu o compromisso de promover uma “investigação coerente e séria fechando as brechas para que fatos dantescos como esse não voltem a se repetir. A CPMI tem a obrigação de fazer a coisa certa, sendo coerente com a verdade“, afirmou.

Já o senador governista Randolfe Rodrigues (PT-AP) minimizou a derrota, alegando que o governo tem maioria na Comissão e, por consequência, vai comandar a aprovação e rejeição de quem será ouvido e dos documentos solicitados. Mas completou que o governo tem interesse que o assunto seja esclarecido.

 

Pizza?

Muito mais que uma disputa entre oposição e governo, a população tem interesse que esta não seja mais uma CPMI a acabar em pizza. Que haja realmente o comprometimento dos parlamentares em esclarecer os fatos e apontar responsáveis independentemente de posições políticas e ideológicas. Será que, desta vez, teremos uma CPMI que se revele produtiva e traga resultados concretos que atendam ao interesse público? A população brasileira e principalmente os beneficiários da Previdência merecem todo o respeito dos parlamentares. Que esta não seja mais uma CPMI a se revelar um “circo de horrores” e palanque político para as próximas eleições é o mínimo que se espera dos deputados e senadores que são pagos para trabalhar em favor do povo.

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