Cair em um golpe digital tornou-se quase uma rotina no Brasil. Segundo dados da ADDP (Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor), seis tipos de fraudes são os mais aplicados atualmente, tanto pela frequência quanto pelos danos que causam. Os alvos são pessoas de todas as idades, muitas vezes pegas pela pressa, confiança ou cansaço diante do volume de informações diário.
Para o advogado Francisco Gomes Junior, presidente da ADDP, o mais preocupante é que as vítimas não só sofrem prejuízos financeiros, mas também enfrentam um julgamento social, como se fossem culpadas. “É comum ouvir frases como ‘não acredito que você caiu nisso’ ou ‘caiu porque foi ganancioso’. O resultado é um sentimento de orfandade digital, como se não houvesse para onde correr”, afirma. Ele ainda aponta que “os criminosos sabem exatamente qual isca usar em cada momento do ano”, adaptando os golpes a temas sazonais como Imposto de Renda ou 13º salário.
Os Golpes Digitais Mais Atuantes (Janeiro a Março):
- Link Malicioso: Disfarçado de aviso bancário ou mensagem oficial, o link leva a sites falsos ou instala programas espiões.
- Falso Benefício: Promete liberar verbas (INSS, Bolsa Família), exigindo um depósito inicial que, após pago, faz o golpista desaparecer.
- Golpe do WhatsApp: Induz a vítima a clicar ou compartilhar códigos, permitindo que criminosos assumam o controle da conta e acessem dados.
- Falso Gerente de Banco: Criminosos ligam se passando por funcionários do banco, pedindo dados confidenciais para “cancelar operações suspeitas” e, com as informações, controlam a conta.
- Falsa Venda Online: Sites bem elaborados oferecem produtos com preços tentadores. O consumidor paga, mas nunca recebe o item.
- Empréstimo Consignado Falso: Aproveitando anúncios reais de crédito, golpistas pedem que a vítima preencha cadastro e pague uma taxa para liberar um dinheiro que nunca chega.
Desafios na Prevenção e Apoio às Vítimas
Embora as orientações básicas incluam cuidado com links, senhas e verificação em duas etapas, Francisco Gomes Junior argumenta que essas medidas estão “ultrapassadas”. Ele sugere uma abordagem mais moderna, com campanhas educativas eficazes e apoio real às vítimas, pois os criminosos se adaptam rapidamente às mudanças digitais.
Um ponto de atenção crescente é o uso do Bluetooth. Vídeos nas redes sociais mostram como criminosos podem acessar dados de aparelhos próximos em ambientes públicos se o recurso estiver ativado. A ADDP chama isso de “golpe invisível”, pois a vítima sequer percebe a ação.
“Os golpes vão continuar crescendo se a gente continuar tratando esse problema como uma falha do usuário. Isso é uma falha do sistema, da estrutura de proteção digital e da falta de responsabilização dos golpistas. E quem paga a conta é sempre a vítima”, finaliza o presidente da ADDP, ressaltando a necessidade de uma mudança de perspectiva sobre o problema.







