Milhares de mulheres enfrentaram a forte chuva na tarde deste domingo (8) para ocupar a Avenida Paulista no ato “Em Defesa da Vida das Mulheres”, marcando o Dia Internacional da Mulher. A caminhada, que seguiu até a Praça Roosevelt, uniu movimentos sociais e sindicais em um clamor pelo fim da violência de gênero e por medidas efetivas contra o feminicídio, que atingiu recorde no estado de São Paulo em 2025. Além da segurança, a pauta deste ano destacou a luta trabalhista pelo fim da escala 6×1 e a urgência de políticas públicas que garantam a soberania e a dignidade das vozes femininas.
O ato na capital paulista faz parte de uma mobilização nacional que ocorreu simultaneamente em diversas cidades brasileiras. Mesmo com as condições climáticas adversas, as manifestantes reforçaram que a luta pelos direitos das mulheres não pode ser interrompida por “notas de apoio” ou “pactos de palavras”, exigindo orçamento público real e ações concretas dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.
Abaixo, detalhamos os principais eixos que motivaram o protesto na Avenida Paulista e os dados que impulsionam essa mobilização.
Combate ao feminicídio e recorde de violência em SP
Um dos momentos mais impactantes do ato foi a instalação de sapatos femininos ao longo da avenida, uma intervenção visual que representou as vítimas de feminicídio no país. O cenário no estado de São Paulo é alarmante: em 2025, foram assassinadas 270 mulheres, um recorde histórico desde o início da série em 2018. Este número representa uma alta de 96,4% em relação a 2021.
Alice Ferreira, coordenadora do Levante Mulheres Vivas, ressaltou que a violência é alimentada por uma estrutura misógina que atinge inclusive crianças. Ela citou a instalação de bonecas em frente ao Fórum Pedro Lessa como forma de protesto contra decisões judiciais recentes que geraram indignação, como a absolvição de homens acusados de estupro de vulnerável.
Criminalização da misoginia e o combate ao discurso “Red Pill”
As ativistas também defenderam a aprovação de um projeto de lei no Congresso Nacional que visa tipificar a misoginia — o ódio contra mulheres — como crime. A urgência da medida justifica-se pelo avanço de comunidades online conhecidas como “Red Pill”, que promovem discursos de ódio e são frequentemente impulsionadas por algoritmos de redes sociais.
“Enquanto o discurso feminista é boicotado pelas big techs, o discurso de ódio contra mulheres é impulsionado. Criminalizar é o primeiro passo para reverter essa lógica”, afirmou Alice Ferreira.
Pauta Trabalhista: O fim da escala 6×1
Para além da violência física, o protesto deste ano abraçou pautas estruturais do mercado de trabalho. O fim da escala 6×1 (seis dias de trabalho para um de descanso) foi um dos motes centrais defendidos por entidades como a Central Única dos Trabalhadores (CUT-SP).
Luana Bife, diretora da CUT-SP, explicou que a redução da jornada é uma questão de sobrevivência para as mulheres, que historicamente enfrentam a dupla ou tripla jornada. “A mulher tem uma escala 7 por 0. O fim da escala 6×1 resulta em descanso e autocuidado, permitindo que a mulher trabalhadora decida como quer estar no mundo”, pontuou.
Políticas públicas e união de movimentos sociais
O ato contou com a participação de um amplo arco de movimentos, como:
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Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e Sem Teto (MTST);
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União Nacional dos Estudantes (UNE);
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Marcha Mundial das Mulheres e Movimento de Mulheres Camponesas;
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União Nacional por Moradia Popular e Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB).
A reivindicação unânime é que a defesa da vida das mulheres se torne uma pauta permanente de Estado, com políticas públicas sociais que independam de trocas de governo e garantam proteção contínua contra todas as formas de extremismo e controle de corpos e vozes femininas.







