Pressão 12 por 8 passa a ser “pré-hipertensão”: entenda o que mudou

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Especialista explica o impacto das novas diretrizes da Sociedade Brasileira de Cardiologia

Recentemente foram divulgadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), novas diretrizes cardiológicas que trazem algumas atualizações importantes, especialmente na classificação da pressão arterial.

Uma das mudanças é que a pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg), popularmente considerada normal, foi reclassificada como “pré-hipertensão”. O chefe da equipe de cardiologia da unidade Santana da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, Dr. Daniel Marotta, explica as principais mudanças e o impacto delas na saúde da população.

“O documento não alterou os critérios para diagnóstico da hipertensão, mas modificou a classificação de alguns níveis de pressão para fins de prevenção. Agora é considerada como normal a pressão que está abaixo de 120/80 mmHg e para pressões entre 120/80 mmHg e 139/89 mmHg a classificação é de pré-hipertensão. O objetivo é identificar mais cedo os indivíduos com maior risco de desenvolver a doença”, explica o médico.

 

Qual o impacto da nova diretriz?

Segundo o especialista, o intuito é ter um tratamento farmacológico e não farmacológico mais precoce, com foco também na mudança do estilo de vida, perda de peso, alimentação, sono e outras medidas importantes para a saúde. 

“Outra mudança envolve os pacientes já diagnosticados com hipertensão. As novas diretrizes estabelecem metas de tratamento mais rigorosas, visando manter a pressão arterial em valores inferiores a 130/80 mmHg. Essa meta se aplica a pacientes com condições associadas, como diabetes, obesidade e insuficiência renal.

Marotta reforça que a nova diretriz traz novidades em medidas não farmacológicas como interromper o comportamento sedentário com pausas ativas, recomendando que as pessoas se levantem e se movimentem por 5 minutos a cada 30 minutos sentadas.

“A nova diretriz demonstra uma mudança de mentalidade no tratamento. Ela também inclui um sistema de pontuação para prever o risco cardiovascular de um indivíduo em 10 anos, o sistema Prevent, considerando fatores como obesidade, diabetes e colesterol alto”, aponta o cardiologista.

De acordo com dados da Vigitel de 2023 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), cerca de 27,9% dos brasileiros têm hipertensão arterial.

“Em resumo, as novas diretrizes brasileiras buscam uma abordagem mais preventiva e rigorosa, incentivando a identificação precoce e a adoção de medidas não medicamentosas para evitar a progressão da doença, ao mesmo tempo que estabelecem metas de tratamento mais agressivas para reduzir o risco de eventos cardiovasculares”, finaliza o especialista. 

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