Nesta semana, o governador Ratinho Júnior (PSD-PR) disse, para a imprensa nacional, durante o evento Agro Fórum, promovido pelo banco BTG Pactual, em São Paulo, uma frase de impacto que resume, com simplicidade, um grande problema na política nacional, atualmente. “O Brasil precisa de alguém normal para governar”.
O governador tem sido um crítico da acirrada polarização político-ideológica e, com essa fala, revela simplesmente que o país não comporta mais tanta briga. “É tanta loucura. É só ter alguém normal que saiba sentar, montar uma boa equipe, se relacionar com os poderes, tratar as coisas sérias de forma séria. Não é comendo jabuticaba e fazendo videozinho que vai resolver o problema do Brasil”, completou, referindo-se a vídeo postado pelo presidente Lula com a primeira-dama Janja a respeito do tarifaço do presidente Donald Trump.
Agenda de presidenciável
Ratinho Junior, nos últimos três meses, tem intensificado a agenda fora do Paraná, já em ritmo de cumprir uma agenda de presidenciável. Nos últimos três meses, foram quinze agendas fora do Paraná, sendo nove delas em São Paulo. Além do Rio e de Santa Catarina. Há duas semanas, esteve no Rio, em encontro com a Associação Comercial do Rio (Acerj) e com a Federação das Indústrias do Rio (Firjan). Na capital fluminense, inclusive, recebeu um afago do prefeito Eduardo Paes, colega de partido. “Se o Brasil tivesse o governador Ratinho Júnior nos governando, o país estaria muito melhor”, disse o prefeito.
Pré-candidatura consolidada
Ao que tudo indica, o nome de Ratinho Júnior para uma candidatura à Presidência da República está consolidado. Salvo disposição do governador de São Paulo Tarcísio de Freitas em disputar o mesmo cargo. Mas, até o momento, o governador do Republicanos tem sinalizado que prefere disputar a reeleição. Já o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, mais uma vez, reafirmou o nome de Ratinho Júnior para concorrer à Presidência da República. O cacique do maior partido do país reiterou o nome do governador do Paraná para a corrida presidencial na primeira semana de agosto, em encontro em Brasília com o presidente Lula. Ratinho Júnior disse estar muito honrado com o apoio de Kassab e que é preciso compor apoios para se chegar a um consenso.
Eduardo Leite para o Senado
O nome do governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite, que, recentemente, ingressou no PSD, tem sido a segunda aposta de Kassab. Inclusive, Leite, logo que ingressou no partido, disse à imprensa que estaria disposto a abrir mão de uma eventual candidatura à Presidência para concorrer ao Senado, abrindo espaço a Ratinho Júnior. Sendo assim, a tendência é que o nome da centro-direita para a Presidência da República seja o do governador do Paraná, Ratinho Júnior, realmente.
Ratinho Júnior no podcast do “Vilela”
O governador, ainda cumprindo agenda em São Paulo, também, participou de dois podcasts de alcance nacional, durante a semana. Um deles, direcionado a um público mais específico, na área de investimentos. E outro, foi o maior podcast do país, o Inteligência Ltda, do apresentador Rogério Vilela, que conta com 5,7 milhões de inscritos no YouTube.
Nova geração de políticos
Ao Vilela, em bate-papo informal, Ratinho Júnior defendeu a chegada de uma nova geração de políticos, nascida entre os anos 70 e 80. “Temos sido governados, por quarenta anos, pela geração que nasceu por volta da década de 50. Está na hora de dar espaço a gerações mais novas, que tragam inovações e modernidade. O mundo está mudando muito rapidamente. Precisamos de políticos com uma nova visão de mundo que acompanhem essas rápidas mudanças. De uma nova visão de política pública. A geração passada deu sua contribuição e somos gratos. Mas é o momento das gerações mais jovens assumirem o poder“, defendeu. O governador ainda reiterou que o país precisa de alguém ”normal“ para resolver problemas. “Eu me considero normal. As pesquisas demonstram que a maioria da população não aguenta mais tanta polarização“, disse ao apresentador Vilela.
Político “normal”
Acredito que qualquer pessoa “normal“ deve concordar com o governador. Afinal, o fenômeno de intensa polarização político-ideológica no país iniciado há cerca de dez, doze anos, tem demonstrado que não rendeu bons frutos. Tanto politicamente, quanto socialmente. Brigas e disputas ideológicas, crises institucionais frequentes, falta de governabilidade, fanatismo político alçado a níveis que beiram o messianismo religioso, e a cultura do “político de estimação” têm adoecido a nação. Não, apenas, agentes políticos, mas o próprio povo brasileiro, em boa parte, tem adoecido mental e moralmente por conta da polarização. Quantos romperam relações ou ao menos brigaram com familiares e amigos por conta de opiniões e preferências políticas? A polarização no país, uma tendência mundial, vale ressaltar, tem levado o brasileiro a entender política como algo semelhante a torcida por um time de futebol. Quando se trata do “político de estimação” da esquerda ou da direita, não importa, o comportamento é o mesmo: ausência de senso crítico e sucessivas “passadas de pano” e vista grossa a erros, corrupção, trapalhadas, falas e discursos duvidosos e incompetência.
Fanatismo político
Ou seja, o fanatismo político em torno de políticos populistas tomou conta das mentes e corações de muitos brasileiros. Beira-se ao ridículo para defender o indefensável quando se trata do tal “político de estimação”.
Surto de loucura coletiva
O governador Ratinho Júnior foi muito certeiro ao referir-se a “normalidade” na política. Pois, o que o país tem vivenciado na última década é um surto de loucura coletiva que precisa acabar. A expectativa é de que a maioria do eleitorado realmente esteja cansada de tanta insanidade e deseje a “normalidade” trazida por um político moderado, que esteja focado em resolver problemas, trazer resultados, diálogo com ética e combater a corrupção sem distinção ideológica, garantindo o desenvolvimento sustentável ao nível econômico e humano a todos os brasileiros. Focado em trazer soluções concretas ao invés de “lacração” nas redes sociais. Sem separatismo e sem divisão da população.







