A decisão do prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel (PSD), de autorizar a primeira internação involuntária de uma pessoa em situação de rua, usuária de drogas, para tratamento da dependência química, foi um grande acerto. Uma decisão de coragem, assertiva, diante da polêmica que medidas como essas costumam deflagrar.
Muito embora, a decisão esteja recebendo críticas de políticos de esquerda, tem recebido apoio, nas redes sociais, de muitos moradores da capital e de políticos que vivem dentro da realidade ao invés de um mundo de devaneios hipócritas e oportunistas, politicamente. Uma medida considerada mais radical precisava ser tomada, uma vez que o cenário resultante de um número crescente de pessoas em situação de rua, e todas as suas sérias consequências, tem sido motivo de grande preocupação e apreensão para a população, em geral. Uma realidade não mais restrita ao Centro da cidade, tendo se espalhado para diversos bairros de Curitiba.
Avaliação médica
O prefeito enfatizou que se trata de uma decisão técnica e dentro da legalidade. Isso significa que uma avaliação médica prévia é decisiva para se concluir ou não pela necessidade de internação involuntária. Quando a pessoa em situação de rua está colocando sua vida em risco ou da coletividade é perfeitamente justificável optar por essa medida considerada mais drástica.
“Higienismo“ e “maquiagem”
Sem nenhuma surpresa, a esquerda tem criticado a decisão do Poder Executivo Municipal alegando que se trata de “higienismo” e de “maquiagem” para deixar a cidade bonita e limpa. Defendem que é necessário um trabalho de assistência social realmente efetivo para evitar uma medida drástica como essa.
Demagogia barata
Esse discurso não passa de demagogia barata, como se fosse possível convencer um usuário de drogas pesadas a sair das ruas e se internar voluntariamente para tentar se libertar do vício. Do ponto de vista científico, é sabido que drogas como o crack vão minando a capacidade de discernimento e de decisão do usuário, uma vez que afetam severamente a região do córtex pré-frontal do cérebro, onde a tomada de decisões e o uso da razão e do bom senso acontecem. Sim, quando o indivíduo praticamente torna-se incapaz mentalmente de tomar alguma decisão para o seu próprio bem, alguém dotado deste discernimento deve fazê-lo em seu lugar. Sendo a pessoa ideal um profissional de saúde, a exemplo do que a Prefeitura fez.
Crueldade e perversão
Chega a ser desumano, cruel, perverso, defender a “liberdade” de escolha e de “ir e vir“ de pessoas que já não são mais livres. Tornaram-se verdadeiras escravas do vício em drogas, escravas de traficantes, escravas de uma vida sem perspectivas por não saberem nem mais quem são ou o que querem. Trata-se de pessoas que perderam completamente a autonomia e a capacidade de fazerem alguma reflexão sobre o que querem para suas vidas, além de buscarem mais drogas para sentirem alívio por alguns instantes.
Promoção da degradação humana
Falar em “empatia” torna-se uma palavra desgastada e vazia quando se permite que pessoas completamente vulneráveis nas mãos de traficantes sobrevivam em condições tão indignas nas ruas, existindo somente para satisfazer a ganância do tráfico. É a promoção da degradação humana a céu aberto servindo de sustentação a um discurso ideológico que não convence mais os dotados de alguma compaixão pelo sofrimento humano dos mais vulneráveis. Sim, pois, no fundo, por detrás de um belo discurso em defesa da liberdade e respeito aos Direitos Humanos propagado pela esquerda, há um teor de total ausência de compaixão. Se houvesse realmente preocupação com a dignidade humana das pessoas em situação de rua, não haveria a defesa irrestrita a liberdade destes cidadãos que só conseguem exercer algum livre arbítrio para destruírem a si mesmos e a seu entorno por meio da dependência química e suas consequências. A dependência química nada mais é do que uma forma de suicídio involuntário e paulatino. É essa liberdade de ir e vir que se quer para as pessoas em situação de rua que se encontram nesta condição por conta do vício em substâncias? A liberdade de cometerem suicídio involuntário?
Estrutura de assistência social
A assistência social do município tem feito o que pode para bem atender a população de rua. Há uma estrutura muito atuante na Fundação de Ação Social, inclusive, com encaminhamento para cursos profissionalizantes e a empregos. O trabalho da FAS com a população em situação de rua não se resume a abrigos e hotéis sociais, e ao fornecimento de alimentação por meio do Mesa Solidária. Mas tudo o que tem sido feito não tem se revelado o suficiente para retirar a maioria das pessoas das ruas devido a dependência química e a outros fatores. Sendo assim, a última alternativa, em casos em que de tudo já foi tentado dentro de um trabalho multidisciplinar da assistência social, é a internação involuntária.
Decisão pessoal
Críticos da medida justificam que de nada adianta forçar um tratamento em uma unidade de recuperação sem o consentimento do usuário de drogas. As recaídas, em casos assim, sem que haja uma decisão pessoal de querer se libertar da dependência química, costumam ser muito comuns. Contudo, é preciso dar o primeiro passo, que é promover a desintoxicação do usuário a fim de que ele possa começar a recuperar sua consciência e a capacidade de algum discernimento e reflexão. O trabalho qualificado de profissionais de saúde como, psiquiatras, psicólogos e assistentes sociais, é decisivo para que haja adesão ao tratamento. O apoio da família, de, ao menos, algum familiar próximo, é outro ponto crucial.
Transparência e competência
Estas pessoas precisam de apoio e incentivo para quererem buscar uma nova vida fora das ruas e longe das drogas. É importante que haja transparência do poder público sobre as condições de atendimento das unidades de recuperação destes dependentes químicos. Um atendimento qualificado e humanizado deve ser colocado como prioridade para que os resultados sejam positivos.
Extrema indignidade
O que não dava mais era para continuar do jeito que estava. Não se trata de “limpar“ a cidade como se refere a esquerda, mas de adotar uma política pública que seja em benefício de toda a coletividade, inclusive, das pessoas em situação de rua. Estes cidadãos encontram-se em condições de extrema indignidade, embora, recebendo toda a assistência e apoio possíveis da FAS. Mas a dependência química tem falado mais alto a estas pessoas que, frequentemente, também, não encontram apoio e acolhida em familiares. Em grande parte, pertencentes a famílias desestruturadas que, sequer, apresentam condições psicológicas, morais e sociais de oferecerem este apoio.
Grande desafio coletivo
Enfim, temos um problema extremamente desafiador, envolvendo múltiplos fatores de agravamento, e que afeta toda a sociedade. Todos sofremos as consequências, de uma forma ou outra, deste grave problema social e de segurança pública. Seria muito importante a criação de uma força-tarefa entre poder público e o voluntariado em igrejas e de profissionais de saúde mental para atuarem todos, unidos, no resgate destas pessoas para uma vida digna e saudável. O apoio espiritual e psicológico a pessoas nestas condições de extrema vulnerabilidade social é fundamental para que haja esperança de uma vida livre da dependência química, em definitivo.







