Perímetros urbanos da RMC têm 60% de áreas vazias, aponta Amep

campo_magro_foto_rdziura-
Estudo da Amep revela que a ocupação dos perímetros urbanos na RMC não chegou à metade. Ocupar áreas vazias pode reduzir custos e melhorar o transporte

Um levantamento inédito da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) revelou que a ocupação dos perímetros urbanos da RMC ainda não atingiu 50% de sua capacidade. Com apenas 40% de áreas ocupadas, a Região Metropolitana de Curitiba — a 8ª mais populosa do país — possui vastos “vazios urbanos”. Os dados, que integram o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI), indicam que o desafio das cidades não é a falta de espaço, mas sim a eficiência no uso de áreas que já possuem infraestrutura disponível.

O estudo aponta que municípios como Adrianópolis (91% de desocupação) e Tijucas do Sul (90%) possuem as maiores margens de crescimento dentro de seus limites atuais. No outro extremo, Curitiba é a cidade mais adensada, com apenas 29% de áreas vazias, seguida por Araucária (50%) e Pinhais (54%).

O custo dos “vazios urbanos” para os municípios

Segundo Gilson Santos, diretor-presidente da Amep, a existência de grandes áreas desocupadas dentro do perímetro urbano torna a gestão pública menos eficiente. Quando uma cidade expande seu perímetro sem ocupar o centro, ela gera gastos desnecessários com:

  • Ampliação de serviços: Coleta de lixo, iluminação e transporte coletivo em áreas distantes.

  • Novos equipamentos: Necessidade de construir escolas e postos de saúde em regiões remotas.

  • Mobilidade: Aumento no tempo e no custo de deslocamento diário do cidadão.

Instrumentos de ocupação e o Estatuto da Cidade

Para reverter esse cenário, o estudo sugere que as prefeituras utilizem ferramentas previstas no Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257/2001). Entre as estratégias para incentivar a ocupação de áreas subutilizadas estão:

  1. IPTU Progressivo: Aumento da alíquota para terrenos vazios em áreas infraestruturadas.

  2. Incentivos Fiscais: Facilidades para novos empreendimentos em centros urbanos.

  3. Verticalização: Estímulo ao adensamento urbano para absorver o crescimento populacional sem expandir fronteiras.

Potencial Habitacional e o Déficit no Paraná

O levantamento da Amep traz uma conclusão importante: os perímetros urbanos da RMC atuais são 90% superiores à demanda estimada de crescimento. Isso significa que existe espaço de sobra para reduzir o déficit habitacional sem levar as famílias para longe dos centros comerciais. O grande obstáculo, segundo o PDUI, é o custo dessas áreas centrais, que muitas vezes se tornam inacessíveis para a população de baixa renda devido à especulação imobiliária.

Ranking de Desocupação por Município (Destaques)

Cidade Área Desocupada (%)
Adrianópolis 91%
Tijucas do Sul 90%
Quatro Barras 87%
Rio Negro 86%
Curitiba 29%
Araucária 50%

Tags

publicidade

Compartilhe:

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

publicidade
publicidade

Opinião

plugins premium WordPress