A Taxa Selic em patamares elevados foi o fator determinante para a estagnação da indústria brasileira no encerramento de 2025. Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), com base em dados do IBGE divulgados nesta terça-feira (3), o ciclo de juros em 15% ao ano encareceu o crédito e retraiu o consumo doméstico. O cenário resultou em um crescimento pífio de apenas 0,6% no ano, um recuo drástico frente aos 3,1% registrados em 2024.
A análise da produção industrial revela um segundo semestre de 2025 marcado pela paralisia. Enquanto o custo do capital subia, o apetite do consumidor por bens duráveis desaparecia, gerando um efeito dominó que atingiu desde o chão de fábrica até os índices de confiança dos investidores. De acordo com a CNI, a política monetária atual tem sido “punitiva” para o setor produtivo.
Juros de 15% e o freio nos investimentos
O diretor de Economia da CNI, Mário Sérgio Telles, destaca que o prejuízo causado pelos juros altos é visível no comparativo anual. Em 2024, com uma Selic mais baixa, a demanda por bens da indústria de transformação cresceu quatro vezes mais do que o registrado até o final de 2025.
Esse cenário gerou dois problemas críticos para as fábricas:
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Estoques elevados: Produtos parados nas prateleiras acima do planejado;
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Queda na produção: Retração de 0,2% especificamente na indústria de transformação.
Pressão externa e avanço das importações
Enquanto a indústria nacional enfrentava dificuldades para financiar sua operação, os produtos estrangeiros ganharam espaço. As importações de bens de consumo saltaram 15,6% no ano passado. A CNI sustenta que o mercado brasileiro foi capturado por produtos de fora, que preencheram a lacuna deixada pela indústria local, sobrecarregada por custos financeiros e demanda interna insuficiente.
Confiança do empresário atinge o pior nível em uma década
O reflexo direto dessa crise é visto no Índice de Confiança do Empresário Industrial (Icei). Em janeiro de 2026, o indicador registrou seu pior desempenho para o mês em dez anos. Operando abaixo dos 50 pontos há 13 meses consecutivos, o Icei sinaliza um pessimismo persistente que paralisa projetos de modernização e expansão.
Para os especialistas da CNI, sem um otimismo mínimo, as intenções de contratação permanecem congeladas, o que prejudica a recuperação do emprego e da renda no curto prazo.
Perspectivas para 2026: Risco de inércia produtiva
O levantamento oficial do IBGE detalha que a desaceleração ganhou força no segundo semestre de 2025, acompanhando o aperto monetário. A CNI alerta que, se não houver uma sinalização de queda na taxa básica de juros e estímulos à demanda interna, o crescimento de 2026 está seriamente comprometido.
A entidade defende uma mudança na política de juros para evitar que a inércia produtiva se estenda, afetando não apenas a indústria, mas todo o Produto Interno Bruto (PIB) nacional. O setor industrial, que converte matérias-primas em bens de alto valor agregado, é vital para evitar que a economia brasileira dependa exclusivamente de commodities.







