Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Gilberto Kassab volta a articular candidatura de Ratinho Júnior após anúncio do nome de Flávio Bolsonaro

Presidente do PSD reacende planos para lançar o governador Ratinho Júnior na disputa presidencial. A decisão vem após a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro, vista como uma abertura para a centro-direita

Após o anúncio da pré-candidatura à presidência da República do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no último dia 5, o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, voltou a articular um eventual lançamento do nome do governador Ratinho Júnior (PSD-PR) para a disputa ao Palácio do Planalto. Os dois conversaram no fim de semana (entre os dias 6 e 7). Na avaliação de Kassab e do governador, o senador Flávio Bolsonaro deverá, mesmo, prosseguir com a candidatura, abrindo espaço para um nome lançado pela centro-direita, uma vez que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) declarou apoio a pré-candidatura do filho do ex-presidente Bolsonaro. Ou seja, sinaliza, mais uma vez, que deverá disputar a reeleição ao governo de São Paulo.

 

Anúncio em fevereiro

O governador Carlos Massa Ratinho Júnior demonstrou interesse em lançar seu nome na corrida ao Palácio do Planalto. Contudo, junto com Kassab, acordou não anunciar nada até fevereiro de 2026, mês considerado por ambos o momento ideal. Para a imprensa, no fim de semana, no Rio de Janeiro, Ratinho Júnior disse que quer construir uma aliança para 2026, estando disposto a colaborar com um novo Brasil, como parte de um time, seja como protagonista ou por meio de uma aliança, incluindo o nome de Flávio Bolsonaro.

 

Nome competitivo

De acordo com levantamentos recentes feitos por institutos de pesquisa de intenção de voto, o governador do Paraná tem se revelado bastante competitivo para fazer frente a um eventual segundo turno com o presidente Lula (PT). No final de semana, o Datafolha divulgou mais uma pesquisa, realizada antes do anúncio do nome de Flávio Bolsonaro, feito no último dia 5. O levantamento foi realizado entre os dias 2 e 4, com 2002 entrevistas e margem de erro de 2%. Em um eventual segundo turno com Lula, Ratinho Júnior alcançaria 41% dos votos enquanto o petista, 47%. O governador do PSD só fica um ponto abaixo da simulação feita com Tarcísio, que alcançaria 42% dos votos contra Lula com 47%.

 

Potencial de projeção nacional

O senador Flávio Bolsonaro apresenta o segundo pior desempenho, com 36% e Lula com 51%. Michelle Bolsonaro teria 39% contra 50% de Lula e o deputado federal licenciado Eduardo Bolsonaro teria 35% contra 52% de Lula. A pesquisa, embora ainda muito cedo para apontar tendências consolidadas, revela um ótimo desempenho do governador do Paraná. Tarcísio e os candidatos da família Bolsonaro já são amplamente conhecidos do público a nível nacional. O governador Ratinho Júnior, ainda, não. Ainda, conta com um enorme potencial a ser trabalhado em torno de seu nome na mídia nacional.

 

“Pra valer”

Durante a semana seguinte ao anúncio de sua candidatura, Flávio Bolsonaro afirmou que sua pré-candidatura é realmente irreversível, que é pra valer. O “preço” a que teria se referido para seguir até o fim com a candidatura seria a elegibilidade de Bolsonaro e a anistia ampla e irrestrita. Ou seja, quis dizer que, na prática, não tem preço. Afinal, em reunião com líderes do PP e União, por exemplo, a ideia de pré-candidatura em torno de seu nome não foi bem recebida . Muito menos, a anistia. O Centrão tem demonstrado que não gostou da decisão de Jair Bolsonaro lançar o nome do filho sem consultar os caciques dos partidos. E que ainda prefere apostar em um nome como o do governador Ronaldo Caiado (União-GO) ou Tarcísio de Freitas. O ex-presidente Bolsonaro nem mesmo teria consultado o presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, antes de lançar o nome do filho.

 

Desmoralização da direita

Aos olhos do público mais atento e de alguns analistas políticos, a decisão de lançar o nome de Flávio sem consultar ninguém termina por desmoralizar a direita. Principalmente, depois de Flávio ter falado em “preço” para desistir da candidatura. Dias depois, tenta consertar o que disse ao afirmar que a candidatura seria irreversível. Tudo soa muito impulsivo e sem consistência. Torna-se difícil acreditar nas falas e declarações da família Bolsonaro com tantas contradições.

 

Suposta fritura de Michelle

O que se suspeita é que houve uma tentativa de desviar os holofotes a Michelle Bolsonaro, que andava ensaiando voos solos e mais independentes na política. Estranhamente, a ex-primeira-dama anunciou, logo após o lançamento do nome do filho de Jair, que estaria afastada das atividades públicas para tratar de problemas de saúde, por um período. Mais uma sincronia de movimentos muito estranha partindo da família Bolsonaro… Mas apesar de deixar muita gente “que nem São Tomé, só acredito vendo”, a irreversibilidade da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro é plausível quando se considera o interesse da família em manter o bolsonarismo vivo a partir de um membro com o mesmo sobrenome e DNA. Manter a velha chama viva do bolsonarismo, ao que parece, é o que mais importa ao ex-presidente e filhos. Muito mais do que a preocupação em apoiar a direita como um todo em nome de um projeto maior para o país.

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