Enquanto muito se comenta na imprensa nacional sobre a sucessão presidencial em 2026, isso não significa que as articulações para a sucessão ao governo estadual no Paraná já não estejam quentes, quase fervendo. Muito mais do que cogitar e articular lançar candidatura à presidência da República, a grande meta do governador Carlos Massa Ratinho Júnior (PSD) é trabalhar na sucessão a seu governo. O governador necessita escolher, com muita estratégia e cautela, um nome para substituí-lo. E que possa dar continuidade ao grande trabalho de oito anos. Não se pode arriscar perder tudo o que foi conquistado para o estado perdendo uma eleição para adversários com projetos sem alinhamento ao que já foi construído em dois mandatos muito bem-sucedidos e de grande aprovação popular, ultrapassando os 80%.
Entre dois nomes
No PSD, partido o qual preside a nível estadual, há, em especial, dois nomes entre os mais cotados: o secretário de Estado das Cidades, Guto Silva, e o presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, deputado Alexandre Curi.
A decisão pode representar uma escolha bastante difícil ao governador, uma vez que se trata de dois nomes de grande potencial. Naturalmente, quando se pensa em maior força política, no momento, de imediato, pensamos em Alexandre Curi. Experiente, herdeiro político do grande e saudoso Aníbal Khury, o deputado concentra uma capilaridade política respeitável. Campeão de votos nas últimas eleições, na cerimônia em que tomou posse na presidência da Assembleia, em fevereiro passado, reuniu quase 300 prefeitos. Bem articulado e realizando uma gestão moderna, inovadora, competente na Casa Legislativa, Curi, sem dúvidas, tem alta probabilidade de receber a “bênção” do governador.
Amizade e confiança
Por outro lado, não se pode desprezar o potencial político de Guto Silva, que já foi chefe da Casa Civil e secretário de Planejamento do governo de Ratinho Júnior. Na Secretaria de Cidades está com tudo para tornar-se conhecido do eleitorado no estado e confabular com prefeitos e vereadores. Outro ponto favorável é o fato de Guto Silva ser amigo pessoal do governador, e de longa data. É o “homem de confiança” do governador.
Pesquisas internas
Contudo, o governador sabe que não deve deixar-se guiar, apenas, por amizades e predileções pessoais. As pesquisas internas ajudam muito numa decisão de peso como essa. E ainda há um tempo razoável até a decisão e o anúncio do nome, lá por abril de 2026.
Gestão de continuidade
O melhor de tudo, não importa o nome, é contar com a certeza de que ambos dariam continuidade a gestão de Ratinho Júnior. E que, segundo a última pesquisa Genial/Quaest realizada entre 13 e 17 de agosto passado, 70% do eleitorado disse acreditar que o governador merece eleger um sucessor. Ou seja, o nome que Ratinho Júnior indicar deve contar com grande potencial eleitoral, seja quem for.
Racha e desidratação
Entre os adversários, o candidato de Ratinho Júnior poderá enfrentar o senador Sérgio Moro (Federação União Progressista). Moro tem sido o favorito nas últimas pesquisas. Na Genial/Quaest citada acima, conta com 38% das intenções de voto. No entanto, mais uma vez, o senador enfrenta falta de apoio político à sua candidatura, que já se encontra desidratada, de modo semelhante ao que ocorreu na disputa pela presidência da República. Há uma grande probabilidade de desistência do senador, num breve futuro. Pois, um verdadeiro racha na Federação recém-formada e ainda não oficializada, está em curso por causa da pré-candidatura de Moro.
Disputa interna na Federação União Progressista
O PP já confirmou que deverá lançar a ex-governadora Cida Borghetti como pré-candidata ao Governo do Estado. A própria ex-governadora já confirmou que está no páreo. Haverá, portanto, uma disputa interna na Federação entre Moro e Cida até às convenções partidárias em junho de 2026. O União Brasil, por sua vez, ingressou na Federação já levando o nome de Moro como pré-candidato. O senador, aliás, é presidente estadual do União mas, mesmo assim, não tem conseguido articular apoios. O vídeo de Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, divulgado recentemente, aprofundou o racha. Disse que o PP nacional deverá respeitar a decisão do PP estadual, que quer lançar Cida Borghetti. E como a Federação só poderá contar com um candidato, ficou claro que Ciro está com a ex-governadora do Paraná.
Vexame na articulação
Resta a Sérgio Moro trocar de partido, enquanto é tempo, e buscar apoios em outros grupos, um desafio que parece quase impossível a essa altura do campeonato em que todos os grupos políticos já estão com as peças do tabuleiro a postos para ocuparem posições bem definidas… Ou desistir… Antes de um vexame semelhante ao que se passou em suas tentativas de lançar uma candidatura à presidência da República. Mais um vexame na articulação política pode colocar em risco, até, a reeleição ao Senado…
Festa de casamento sem políticos
Algo sintomático dessa incapacidade em articular apoios viu-se no casamento da filha do senador, Júlia Wolff Moro, no último sábado (18). A filha de Sérgio Moro e de Rosângela Wolff Moro casou-se, em Curitiba, com o advogado João Malucelli, sócio do senador em escritório de advocacia, em cerimônia religiosa na Igreja Bom Jesus do Cabral seguida de recepção em espaço de eventos bastante discretas, sem a presença de políticos. Comenta-se, nos meios políticos, que a ausência de correligionários e aliados entre os convidados é reveladora do isolamento político do senador. Afinal, a pré-campanha já começou e não contar com políticos entre os convidados pode ser um sinal, realmente, de falta de aliados e parceiros políticos da confiança do senador…
Debandada de prefeitos
Para piorar os desafios a Sérgio Moro, houve uma debandada de prefeitos do PP no estado assim que se deram conta de que teriam de apoiar a candidatura de Moro. Dezoito deles saíram do partido, sendo que sete já foram para o PSD, partido de Ratinho Júnior. Os demais, encontram-se sem partido. E, segundo dirigentes do PP estadual, a debandada deverá ser ainda maior. Calcula-se que o partido deverá perder metade dos 61 prefeitos eleitos em 2024. Tais prefeitos preferem continuar alinhados com o governador, como desde antes da criação da Federação.
Jogo pesado
Até o início de 2026, o cenário da disputa pode se modificar consideravelmente. Moro poderá enfrentar um pleito interno muito pesado contra o grupo de Cida Borghetti, que tem como marido o poderoso deputado federal Ricardo Barros, uma verdadeira raposa política de vasta experiência. Talvez, o ex-juiz da Lava Jato desista de buscar o governo do estado e opte por consolidar carreira política no parlamento. Além do mais, seria uma incógnita a capacidade de gestão do ex-juiz, que não conta com experiência no Poder Executivo para além da breve e polêmica passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública no governo Bolsonaro.







