Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Esquerda e feminismo silenciam sobre ditadura teocrática no Irã

A postura da diplomacia brasileira e do movimento feminista diante da repressão teocrática no Irã e a crise de direitos humanos

A resistência da esquerda brasileira em condenar o governo teocrático do Irã explicita o quanto a democracia é relativa para esta ideologia. Democracia só é boa quando concorda com os interesses da esquerda. Ou seja, no final das contas, democracia não tem valor algum para a esquerda por que o próprio conceito de democracia implica convivência pacífica com a pluralidade de ideias.

A diplomacia brasileira emitiu uma nota, bastante burocrática e protolocar, sobre a grave situação no Irã, onde protestos de manifestantes populares já resultaram em, pelo menos, 2.400 mortes. Execuções de manifestantes estão sendo feitas pela ditadura sanguinária de Ali Khamenei. E o que o Itamaraty diz, tão somente? Limita-se a lamentar as mortes, enviando condolências às famílias, e afirma acompanhar com “preocupação” as manifestações decorrentes do levante popular contra o governo, iniciado no final de dezembro passado. Ainda, defende o diálogo pacífico e a busca de soluções por parte dos próprios iranianos, preservando-se a soberania do país. Nenhuma palavra de lamento ou crítica ao governo terrivelmente opressor daquele país do Oriente Médio. Nenhuma menção a repressão às manifestações populares ou às graves violações aos Direitos Humanos. Tudo o que importa para a Diplomacia Brasileira parece ser a preservação da soberania do Irã. Um claro recado a Trump, que ameaça intervir no país por meio de ataques aéreos, também. O presidente norte-americano já intervém anunciando tarifas de 25% a todos os parceiros comerciais do Irã. O Brasil é parceiro comercial, aliás, com exportações que chegam a 2,9 bilhões de dólares. Um montante pouco significativo em comparação ao total dos volumes exportados a nível global.

Defesa da soberania

Defender a soberania dos países tem sido o mote do Governo Lula desde o episódio envolvendo a soberania brasileira na crise deflagrada com Trump, em meados de 2025. Porém, o caso brasileiro foi bastante diferente. Aqui, não há um levante popular contra o governo. Não há uma teocracia das mais cruéis no comando do governo central, como no Irã.

Soberania a todo custo?

Até que ponto a soberania de uma nação deve ser defendida? A todo e qualquer custo? Ao custo da perda de centenas, de milhares, de vidas? Ao custo da destruição da democracia? Pagando-se o preço da perda da liberdade de expressão e do respeito aos Direitos Humanos? Ao custo de questões humanitárias primordiais como, fazer vista grossa à situação de um povo passando fome, sem emprego, sem desenvolvimento social e econômico, sem esperanças, a exemplo do que vinha acontecendo na Venezuela antes da deposição de Maduro pelo governo Trump?

Defesa de ditaduras

Em cenários extremos como, o da Venezuela e do Irã, a primeira pergunta a se fazer deve ser: soberania de quem e para quem? É possível afirmar que há soberania plena em países governados por ditadores? Especialmente, quando se tratam de ditaduras cruéis onde a violação de Direitos Humanos ou a fome tornam-se uma forma de genocídio? A única soberania que resta em ditaduras extremistas é a dos próprios governantes e seus auxiliares. A soberania da vontade popular já não existe mais. O cinismo torna-se perverso quando se defende o diálogo e o pacifismo com um governo que não respeita, sequer, as demandas fundamentais do povo. Um povo sem autonomia, sem liberdade de expressão e de opinião, onde mulheres são oprimidas e punidas se não seguirem a rígida cartilha do califado islâmico, não conta com soberania alguma. Na Venezuela, a “soberania” do governo Maduro matava pela fome ou pela dura repressão a opositores políticos. Democracia não havia mais, a partir de um parlamento subserviente aos ditames do regime chavista e de eleições populares sem a mínima credibilidade. E temos de ainda ouvir defesas da soberania a governos extremistas como esses? É brincadeira…

Feministas caladas

Estranhamente, o movimento feminista – cooptado pela militância esquerdista – também, encontra-se resistente em criticar o regime teocrático do Irã. Nenhuma palavra das feministas, até, então. Não se vê nenhuma comemoração pelo levante popular naquela teocracia islâmica que oprime e massacra mulheres de forma sem igual no mundo. O uso do “hijab” tem sido opcional às mulheres no Irã, desde o início dos protestos, simbolizando a luta pela liberdade de muitas delas, que não querem mais submeter-se aos ditames absurdos do líder supremo Ali Khamenei.

Movimento feminista cooptado

Seria lógico esperarmos que o movimento feminista comemorasse e incentivasse a busca pela libertação das mulheres no Irã. Afinal, supostamente, a defesa irrestrita dos direitos e bem-estar das mulheres seria a tônica do feminismo. Mas parece que interesses políticos e ideológicos estão acima da defesa das mulheres para este movimento que, mais do que contraditório, tem se revelado dissimulado e duvidoso, quando pautado por uma ideologia que nunca teve interesse em defender as mulheres de verdade. Apenas, tem usado as mulheres e suas pautas como massa de manobra para levar e manter a esquerda no poder.

Relativização

Enfim, a relativização da democracia e das pautas ditas prioritárias faz parte da essência da ideologia de esquerda. Democracia só tem valor em discursos de palanque e na defesa da “companheirada”, para a esquerda. Ditadores tornam-se aliados quando se trata de opor-se ao imperialismo ianque. E desconfia-se que o apresso por ditadores como Maduro, Xin Jin Ping, Ali Khamenei e Putin, vá além de interesses econômicos. Servem de inspiração e modelo de governança.

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