O Brasil alcançou um marco histórico no mercado de trabalho, com a taxa de desocupação registrando 5,1% no trimestre encerrado em dezembro de 2025. Este é o menor índice já documentado pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A divulgação desses dados, realizada em 30 de janeiro, reforça uma tendência de recuperação robusta e sustentada da economia, superando expectativas e sinalizando um período de maior estabilidade para milhões de brasileiros em busca de colocação.
A performance trimestral se alinha com o resultado anual consolidado, que também estabeleceu um novo recorde. A taxa média de desocupação para o ano de 2025 fixou-se em 5,6%, o menor patamar desde o início da série histórica da Pnad. Este cenário positivo é corroborado pelo expressivo número de pessoas ocupadas, que atingiu a marca de 103 milhões em todo o território nacional. Tal volume de empregos ativos demonstra a capacidade do mercado em absorver a força de trabalho e gerar oportunidades em diversos setores.
A queda do desemprego para esta mínima histórica representa uma significativa reversão de cenários passados. Em contraste, a maior taxa de desocupação registrada pela Pnad Contínua foi de 14,9%, observada nos trimestres móveis encerrados em setembro de 2020 e março de 2021, auge da crise sanitária da COVID-19. A trajetória descendente é um indicativo de políticas eficazes e de um ambiente econômico mais favorável, consolidando a percepção de um mercado de trabalho em plena expansão e com perspectiva de manutenção desse patamar.
2025: Um Ano de Recordes Positivos no Mercado de Trabalho
O ano de 2025 consolidou-se como um período de marcos históricos positivos para o mercado de trabalho brasileiro, refletindo uma robusta recuperação e expansão. A taxa anual de desocupação atingiu o patamar inédito de 5,6%, a menor já registrada na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, conduzida pelo IBGE. Este índice é um testemunho da dinâmica favorável que impulsionou a geração de emprego e renda em todo o país. Além disso, o número de pessoas ocupadas alcançou a expressiva marca de 103 milhões, sinalizando uma vasta inclusão de trabalhadores na economia formal e informal.
A força-tarefa da economia em 2025 foi sublinhada pelos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reportou a criação líqueta de 1,279 milhão de novos postos de trabalho com carteira assinada. Este resultado não apenas supera expectativas, mas também impulsionou o contingente total de trabalhadores formais para 38,9 milhões de pessoas, um recorde absoluto e uma expansão de 1 milhão em comparação com o ano anterior. Paralelamente, a renda média mensal do trabalhador brasileiro registrou um patamar sem precedentes de R$ 3.560, representando um aumento significativo de 5,7% (equivalente a R$ 192) em relação a 2024, evidenciando melhorias concretas no poder de compra.
Analisando as diversas modalidades de ocupação, 2025 também se destacou pelo maior número de trabalhadores por conta própria já registrado, atingindo 26,1 milhões de pessoas, um indicador da vitalidade do empreendedorismo e da flexibilidade do mercado. A taxa anual de informalidade, embora ainda relevante, mostrou uma leve retração, passando de 39% em 2024 para 38,1% em 2025. Segundo Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, essa redução é um “valor relevante”, apesar de a composição do mercado ainda depender significativamente da informalidade, especialmente nos setores de comércio e serviços. Houve, contudo, uma leve queda nos empregados sem carteira assinada na iniciativa privada (-0,8%) e nos trabalhadores domésticos (-4,4%), indicando uma possível migração para o emprego formal ou conta própria.
Renda Média e Empregos Formais Impulsionam o Cenário Brasileiro
O cenário positivo do mercado de trabalho brasileiro, evidenciado pela mínima histórica da taxa de desocupação, é substancialmente impulsionado pelo crescimento da renda média e a expansão dos empregos formais. O ano de 2025 encerrou com um marco significativo na remuneração dos trabalhadores, registrando a renda média mensal mais alta já aferida: R$ 3.560. Este valor representa um aumento expressivo de 5,7% em relação ao ano anterior, totalizando R$ 192 a mais no bolso do trabalhador, o que demonstra um poder de compra em recuperação e um aquecimento da economia.
Paralelamente à valorização da renda, o Brasil testemunhou um avanço notável na formalização do emprego. O número de pessoas com carteira de trabalho assinada alcançou o patamar recorde de 38,9 milhões em 2025, um incremento de 1 milhão de postos formais em comparação com o ano precedente. Esse dado é corroborado pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que reportou a criação líquida de quase 1,28 milhões de vagas formais no consolidado do mesmo ano.
A conjunção da renda média crescente e do número recorde de empregos formais cria um ciclo virtuoso para a economia nacional. A maior formalização do trabalho contribui para a elevação da renda, pois empregos com carteira assinada tendem a oferecer melhores salários e condições mais estáveis. Este panorama de segurança e melhor remuneração estimula o consumo e o investimento, gerando um efeito multiplicador que solidifica a recuperação econômica e o otimismo no mercado, configurando-se como pilares cruciais para a consolidação da baixa taxa de desemprego.
A Complexa Dinâmica da Informalidade e o Crescimento do Conta Própria
Apesar da queda histórica na taxa de desocupação geral, a composição do mercado de trabalho brasileiro de 2025 revela uma complexa dinâmica impulsionada pela informalidade e pelo fenômeno do trabalho por conta própria. Os dados do IBGE indicam que o contingente de trabalhadores por conta própria atingiu o patamar recorde de 26,1 milhões de pessoas, o maior já registrado na série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Este número expressivo sublinha uma tendência marcante na estruturação das ocupações no país, com uma parcela significativa da força de trabalho optando ou sendo impelida para essa modalidade.
A informalidade, embora tenha apresentado uma ligeira retração de 39% em 2024 para 38,1% em 2025, permanece como um “valor relevante” e uma característica estrutural intrínseca ao mercado de trabalho nacional. Conforme ressalta Adriana Beringuy, coordenadora da pesquisa, a população ocupada ainda demonstra uma forte dependência desse tipo de arranjo laboral. Essa dependência é particularmente evidente nos setores de comércio e em diversos segmentos de serviços menos complexos, onde a flexibilidade e a menor burocracia frequentemente favorecem a atuação de trabalhadores sem vínculo formal, moldando a resiliência desse segmento.
O crescimento expressivo do segmento de conta própria, aliado à persistência de um alto índice de informalidade, sugere múltiplas facetas do avanço no mercado de trabalho. Para alguns, representa uma oportunidade de empreendedorismo e autonomia, impulsionada pela busca por maior flexibilidade ou pela inovação em novos nichos. Para outros, contudo, pode refletir a dificuldade de acesso a vagas formais com carteira assinada, empurrando-os para soluções de subsistência e precarização. A simultânea queda dos empregados da iniciativa privada sem carteira assinada (-0,8% ante 2024, totalizando 13,8 milhões) indica uma reconfiguração interna da informalidade, com a modalidade conta própria absorvendo parte dessa dinâmica e complexificando a análise da qualidade do emprego gerado.
PNAD Contínua vs. CAGED: Entendendo os Indicadores do Mercado de Trabalho
Para uma compreensão aprofundada do mercado de trabalho brasileiro, é crucial distinguir entre a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Embora ambos forneçam dados vitais sobre o emprego e o desemprego, suas metodologias e escopos de abrangência são fundamentalmente diferentes, oferecendo perspectivas complementares sobre a dinâmica laboral do país.
A PNAD Contínua é o indicador mais abrangente, buscando retratar a realidade de toda a força de trabalho a partir de 14 anos, através de pesquisas domiciliares. Sua força reside em considerar todas as formas de ocupação — empregados com e sem carteira assinada, trabalhadores por conta própria, e domésticos — para definir a taxa de desocupação. É a PNAD que capta o contingente de desocupados que efetivamente procuraram trabalho nos 30 dias anteriores à pesquisa, e que fornece dados essenciais sobre a informalidade, um traço estrutural do mercado brasileiro.
Em contrapartida, o CAGED possui um foco mais restrito e específico, monitorando exclusivamente o mercado de trabalho formal. Baseado em registros administrativos de admissões e desligamentos de trabalhadores com carteira assinada, ele mede o saldo líquido de postos de trabalho formais criados ou fechados. Enquanto o CAGED é um termômetro ágil da geração de empregos regulamentados, ele não abrange a parcela significativa de trabalhadores informais ou autônomos. Assim, a análise conjunta da PNAD Contínua e do CAGED é indispensável para compor um quadro completo e matizado das tendências e desafios do cenário de trabalho nacional.







