A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) emitiu um alerta urgente para os países das Américas após registrar um aumento de quase 23 vezes nos casos de sarampo entre 2024 e 2025. O continente saltou de 446 registros para 14.891 no último ano, com a grande concentração de notificações (95%) na América do Norte. Em 2026, os dados parciais de janeiro já mostram um crescimento 45 vezes superior ao mesmo período do ano anterior, sinalizando um risco real de transmissão sustentada em regiões que haviam eliminado o vírus.
O ressurgimento do sarampo em países como México, Canadá e Estados Unidos acende um sinal de alerta para o Brasil. A doença, que é altamente contagiosa, encontra terreno fértil em populações com baixas coberturas vacinais.
Cenário Epidemiológico: América do Norte no centro do surto
Os dados de 2025 revelam que a maioria esmagadora dos casos ocorreu em pessoas sem histórico de vacinação. Nos Estados Unidos, 93% dos infectados não estavam imunizados. No México, esse índice foi de 91,2% e, no Canadá, de 89%.
| País | Casos em 2025 | % de Não Vacinados |
| México | 6.428 | 91,2% |
| Canadá | 5.436 | 89,0% |
| Estados Unidos | 2.242 | 93,0% |
A Opas reforça que o aumento acentuado exige ação coordenada para evitar que o vírus volte a se estabelecer de forma endêmica em todo o continente, que perdeu o certificado de região livre de transmissão em novembro passado.
Brasil: Status de país livre e vigilância redobrada
Apesar do cenário alarmante nos países vizinhos, o Brasil recuperou em 2024 o certificado de país livre do sarampo. Em 2025, foram registradas 38 notificações, sendo a maioria (25 casos) relacionada à importação do vírus por viajantes.
O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Renato Kfouri, alerta que o fluxo diário de voos internacionais torna a entrada do vírus no território nacional “inexorável”. O desafio atual é manter a vigilância atenta para que casos importados não gerem uma transmissão sustentada, como ocorreu em 2018.
Sintomas e Gravidade do Sarampo
O sarampo não é uma doença infantil comum, mas uma infecção viral grave que pode levar a complicações severas e óbito. Os principais sintomas incluem:
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Febre alta, tosse e coriza;
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Conjuntivite e fotofobia (sensibilidade à luz);
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Manchas de Koplik (pequenos pontos brancos na mucosa bucal);
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Manchas vermelhas na pele que começam no rosto e descem pelo corpo.
Complicações graves como pneumonia, cegueira e encefalite (inflamação do cérebro) são riscos reais para quem não possui imunidade.
Prevenção: A importância da Vacina Tríplice Viral
A única forma eficaz de prevenir o sarampo é a vacinação. No Brasil, o SUS oferece gratuitamente a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).
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1ª dose: Aos 12 meses de idade.
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2ª dose: Aos 15 meses de idade.
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Adultos: Pessoas até 59 anos que não possuem comprovante de vacinação devem procurar um posto de saúde para atualizar a caderneta.
A meta para evitar surtos é uma cobertura vacinal de 95%. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil apresentou um avanço expressivo, subindo de 80,7% em 2022 para 93,78% em 2025, aproximando-se do índice de segurança.
Orientações da Opas e Ações do Ministério da Saúde
Para conter o avanço, a Opas recomenda o reforço da vigilância epidemiológica e a realização de buscas ativas de casos suspeitos em comunidades e laboratórios. O Ministério da Saúde informou que intensificou a vacinação em regiões de fronteira (Bolívia, Argentina e Uruguai) e em cidades turísticas com alto fluxo de estrangeiros para blindar o país contra o surto internacional.







