Jornalista responsável dos jornais do Grupo Paraná Comunicação (A Gazeta Cidade de Pinhais, A Gazeta Região Metropolitana, Agenda Local e Jardim das Américas Notícias)

Casos Jeffrey Epstein e de piloto da Latam podem ser, apenas, a ponta do iceberg

A divulgação dos arquivos de Jeffrey Epstein e a prisão de um piloto da Latam reacendem o debate sobre redes globais de exploração infantil e tráfico de menores

A divulgação dos arquivos “Jeffrey Epstein Files” pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos tem chocado e abalado o mundo. São cerca de 3 milhões de arquivos de emails do bilionário pedófilo que revelam conversas das mais chocantes e comprometedoras, causando espanto, horror, indignação, devido a conteúdos nitidamente relacionados a pedofilia, tráfico de menores, exploração sexual de crianças e adolescentes, tortura, cárcere privado e até práticas que levantam fortes suspeitas de canibalismo e de rituais macabros.

Piloto “acima de qualquer suspeita”

Durante a semana, outro caso estarrecedor envolvendo pedofilia e exploração sexual infantil chocou o público. Desta vez, no Brasil. Um piloto da Latam, de 60 anos, foi preso enquanto se preparava para o voo em direção ao Rio, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. O piloto, já demitido pela empresa de aviação, é suspeito de comandar uma rede de exploração sexual de menores e contava com a colaboração de outras pessoas, a exemplo da avó de duas crianças exploradas e de uma assistente. Ambas, também, foram presas.

Paralisia e anestesia

A sociedade, ao tomar conhecimento de casos assustadores como esse permanece em choque. Nutrindo um misto de espanto e horror com indignação. Mas ao mesmo tempo vem a sensação de paralisia e anestesia subsequentes. Contudo, é preciso ir além do sentimento de horror e indignação, adotando-se providências, políticas públicas e mobilização de toda a sociedade em torno deste grave problema a nível global.

Falência moral dos EUA

Os Estados Unidos, nação mais poderosa do mundo, considerados por muitos brasileiros como exemplo de justiça, democracia, ética na vida pública, demonstram com o caso Epstein, que têm falhado terrivelmente quanto a justiça e cumprimento das leis, inclusive, dos Direitos Humanos. E o Brasil, onde fica neste cenário? Talvez, estejamos num mesmo patamar de impunidade ou pior em relação ao combate a exploração sexual infantil, ao tráfico de menores e a pedofilia.

Ilha de Marajó

Quando a então ministra do governo Bolsonaro, Damares Alves, alertou a sociedade sobre o tráfico de menores para exploração sexual na Ilha de Marajó foi barbaramente ridicularizada pela esquerda e praticamente ignorada pela imprensa. Os arquivos “Epstein Files”, no entanto, demonstram que possivelmente deva haver fundamentos e veracidade no que a atual senadora Damares falou sobre o que acontece no norte do país.

Filme “Som da Liberdade”

Também, tratado como “teoria da conspiração“ pela esquerda, foi o filme lançado em 2023 “Som da Liberdade”, com o ator Jim Caviezel. O longa- metragem é baseado em fatos reais e conta a história de Tim Ballard, um ex-agente do governo dos Estados Unidos que largou seu emprego após resgatar uma criança do tráfico humano na Colômbia para liderar missões perigosas de resgate de vítimas menores de idade do tráfico humano, especialmente, na América Latina, combatendo redes de pedofilia e de exploração infantil. Do ponto de vista dos céticos, o filme, no mínimo, exagerou. Para outros, foi visto com preconceito por se tratar de uma obra aclamada pela direita conservadora, especialmente, bolsonarista. Mas os arquivos recém-divulgados do pedófilo norte-americano demonstram que a realidade pode ser tão terrível quanto sugerem os “teóricos da conspiração”, atualmente, sendo chamados de “teóricos da confirmação”. O caso do piloto também leva a crer que existam muitos motivos para suspeitas de que se trata, apenas, da ponta de um iceberg.

23 mil menores desaparecidos em 2025

Unindo-se estas informações recentes sobre pedofilia e exploração sexual de menores a notícia de que, em 2025, 66 menores de idade desapareceram por dia, no Brasil, somando mais de 23 mil casos no último ano, temos uma realidade nada animadora. Quantas destas crianças e adolescentes teriam desaparecido para abastecer o tráfico humano de menores para diversos fins, entre eles, pedofilia e exploração sexual? Os dados são do Painel Sinesp (Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública) e apontam que o número de desaparecimentos cresceu 8% em relação a 2024. A maior parte dos menores desaparecidos são do sexo feminino, somando 61% dos casos, 14.658 meninas.

Norte do país vulnerável

Em números absolutos, os estados com mais menores desaparecidos são São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. Mas proporcionalmente ao número de habitantes, em primeiro lugar, está Roraima, com 40 crianças desaparecidas a cada 100 mil habitantes. Em segundo lugar, continua o Rio Grande do Sul (28 crianças) e em terceiro lugar o Amapá, com 24 crianças para cada 100 mil habitantes. Ou seja, a região Norte do país é a mais vulnerável. O Rio Grande do Sul, talvez, também, destaque-se por estar perto da fronteira, facilitando a saída dos criminosos do país.

Políticas públicas e campanhas

Indignação, espanto e horror não bastam. Cabe ao poder público reforçar o combate a esse tipo de criminalidade e investir em prevenção, a partir de campanhas, orientação à população, canais de denúncias. É preciso mobilização imensa da sociedade para o combate a um tipo de criminalidade que envolve gente muito poderosa, a elite mundial, inclusive, como demonstram os arquivos do Jeffrey Epstein.

Epstein e o Brasil

O bilionário pedófilo, aliás, atuava no Brasil, tendo sido encontrados arquivos de emails com referências a crianças e mulheres brasileiras. Inclusive, a imprensa acaba de noticiar que o criminoso norte-americano tinha e ainda tem cadastro de CPF ativo e regular no Brasil. A Receita Federal explicou a imprensa que é possível, legalmente, a um estrangeiro não-residente no país solicitar inscrição de CPF na Receita Federal. De acordo com arquivos de e-mails, o bilionário chegou a cogitar pedir cidadania brasileira.

“Peão” substituído

O pior é pensar que, após morto, Jeffrey Epstein deve ter seu “cargo” sido substituído por outro predador, a fim de que a rede internacional continue operando. Isso sem falarmos em outros “Jeffrey Epsteins” menores, a exemplo do piloto da Latam, que devem estar atuando pelo Brasil e mundo afora, ainda, impunemente. Alguns, sem levantar suspeitas. Em primeiro lugar, cabem aos pais e responsáveis cuidar muito bem da segurança de suas crianças e adolescentes. É o mínimo a fazer dentro do alcance de pessoas comuns, sem poder e influência para o combate a uma rede de criminalidade tão poderosa e de atuação, muitas vezes, internacional.

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