O Estado do Paraná registrou a terceira maior disponibilidade de caixa do Brasil no mês de agosto de 2026, acumulando R$ 27,6 bilhões. O montante posiciona a administração estadual atrás apenas de São Paulo, que obteve R$ 69,5 bilhões, e Minas Gerais, com R$ 39,5 bilhões. Os dados constam no relatório da Secretaria de Estado da Fazenda, apresentado em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa para a prestação de contas do segundo quadrimestre.
O indicador mede o volume de recursos disponíveis após o desconto de obrigações financeiras assumidas, como despesas contratadas e restos a pagar. O saldo permite avaliar a manutenção dos serviços públicos e embasa a análise dos parlamentares sobre os compromissos previstos para o próximo exercício financeiro.
BALANÇO FISCAL
O secretário da Fazenda em exercício, Luiz Paulo Budal, atribuiu o resultado ao planejamento fiscal recente. Segundo ele, a reserva assegura a continuidade de investimentos em áreas essenciais, como saúde e educação, além de garantir o cumprimento das obrigações do Estado.
O relatório indica crescimento dos investimentos estaduais, que alcançaram R$ 7,6 bilhões empenhados até agosto de 2026, alta nominal de 73,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. As receitas totais somaram R$ 54,5 bilhões, expansão de 4,4% na comparação com 2025. “Maior investimento da história”, reforçou Budal.
APLICAÇÃO SOCIAL
Os números mostram a aplicação de recursos acima dos mínimos constitucionais em áreas prioritárias. A saúde recebeu R$ 5,2 bilhões empenhados, o equivalente a 13,28% da receita líquida de impostos, enquanto o piso legal exige 12%. A educação atingiu 33,95%, superando o limite mínimo de 30% determinado pela Constituição Estadual.
A disponibilidade de recursos para a próxima gestão estadual concentrou os debates na Assembleia. Deputados questionaram a capacidade do Governo de custear obras e convênios após a transição administrativa marcada para 2027.
DEBATE PARLAMENTAR
O deputado Delegado Tito Barichello questionou os aportes em segurança pública. Em resposta, o secretário explicou que parte da receita tem destinação específica e que compromissos assumidos serão cobertos pela programação financeira. Ele ressaltou que os valores do próximo exercício são estimativas dependentes do encerramento de 2026.
O deputado Paulo Gomes cobrou esclarecimentos sobre repasses a municípios. Budal afirmou que o Estado ampliou os repasses e cumpre os convênios formalizados, esclarecendo que anúncios sem formalização não constituem obrigação financeira.
QUESTIONAMENTOS DA OPOSIÇÃO
Líder da Oposição, o deputado Arilson Chiorato questionou a sustentabilidade das despesas e projeções orçamentárias. O secretário atribuiu diferenças nas estimativas a critérios metodológicos e afirmou que a expansão dos investimentos utiliza recursos acumulados.
O deputado Professor Lemos demonstrou preocupação com as renúncias fiscais e direitos dos servidores. Budal defendeu os incentivos pelo impacto na geração de empregos e atração de empresas ao território paranaense.
Demandas sobre contratos do Verão Maior e dívida ativa foram apresentadas pelos deputados Mauro Moraes e Delegado Jacovós. O deputado Gilson de Souza questionou os passivos de licenças especiais, e a equipe técnica confirmou a existência de obrigações acumuladas em análise jurídica.
ENCAMINHAMENTOS FINAIS
O deputado Luiz Fernando Guerra debateu a execução das metas físicas. Por sua vez, o líder do Governo, deputado Hussein Bakri, destacou a extensão das obras em andamento e ponderou que a execução depende de fatores operacionais além da reserva em caixa.
Ao término da audiência, Luiz Paulo Budal informou que responderá formalmente a todos os questionamentos protocolados pelos parlamentares. A reunião atende à Lei de Responsabilidade Fiscal, que exige a prestação periódica das contas do Executivo ao Legislativo.













